O povo sacode a árvore para que o ditador caia

País incensado por sua cultura, que vem de tempos imemoriais, o Egito está nas manchetes dos jornais de todo o mundo há oito dias, desde que os protestos contra o presidente Hosni Mubarak ganharam as ruas das principais cidades do país. Aos 82 anos, o ditador governa o país há 30, desde a morte de Anwar el-Sadat.

Pobreza, desemprego e corrupção em várias instâncias do poder público, problemas agravados nos últimos anos, são as raízes da revolta popular, que tem seu epicentro no Cairo, a capital do país. Militar da Aeronáutica por formação, Mubarak ainda tem o apoio das Forças Armadas egípcias, que deixaram pelo menos cem mortos nos confrontos com manifestantes.

Nem que dure mil anos, toda a ditadura um dia cai, minada pelos tumores que nascem em organismos tomados pelo autoritarismo e onde a liberdade de expressão foi aniquilada. O estopim, no entanto, está ligado mais à situação econômica do povo do que às preocupações deste com a livre propagação das ideias.

Apesar de estar no poder desde 1981, Mubarak deu seguimento a uma linhagem de governos autoritários que vem dos anos 50. Há, pois, explicações de sobra para a revolta que ora toma as ruas.

Mesmo com a nomeação, ontem, de novos ministros, será difícil o presidente  manter-se no topo. Hoje, por exemplo, 1 milhão de pessoas vão às ruas balançar a árvore em que ele se encontra aboletado. E balançarão até que o tirano caia.