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A imprensa não precisa de novos mártires como Tim

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Os tiros disparados na manhã de ontem contra o helicóptero da Rede Globo de Televisão, por traficantes do complexo de favelas do São Carlos (Zona Norte do Rio),  acertaram novamente em uma das questões fundamentais do jornalismo: até que ponto vale colocar em risco a vida de profissionais em nome da informação?

Em 2002, o repórter Tim Lopes foi torturado até a morte por bandidos do complexo do Alemão, onde, com uma microcâmera escondida, estaria documentando a venda de drogas e a participação de menores em bailes funk. Contratado da mesma emissora, Tim entrou naquele hostil reduto do crime sozinho, sem maiores salvaguardas. Descoberto pelos traficantes, teve abreviada sua carreira de reconhecidos méritos.

Ontem, por sorte, a aeronave atingida pelos tiros de grosso calibre dos traficantes do São Carlos – que enfrentavam uma operação de mais de 150 policiais na favela – conseguiu pousar em segurança. Nenhum dos três tripulantes, entre eles a repórter Karina Borges, ficou ferido no episódio, mas este vale como um alerta para todos os órgãos de imprensa que se valem de sobrevoos em suas reportagens.

É prudente manter uma distância segura em casos de fogo cruzado. Um perito deve instruir os pilotos sobre o alcance das armas usadas pelos bandidos das comunidades do Rio ainda não pacificadas. E todos os jornalistas e demais profissionais, incluindo técnicos e pilotos, devem ser alertados sobre os riscos sem constrangimento. A imprensa não precisa de novos mártires.