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O cristianismo

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O cristianismo é uma religião, mas sua característica própria consiste em sair do universo religioso tradicional, talvez mesmo não ser de todo uma religião no sentido clássico do termo. Onde o sentido clássico domina o imutável é a regra. Nele, o coletivo ou o social levam a melhor sobre o indivíduo, cuja máxima sabedoria religiosa consiste em dobrar-se na aceitação das regras transmitidas e em inculcar aos seus descendentes o respeito em que ele próprio foi educado. 

O cristianismo remete para a mensagem de Jesus, que postula um anúncio novo de Deus. Deus não é conhecido na sua vontade ou em si mesmo pela fidelidade, mesmo escrupulosa, à tradição dos pais, tampouco aos gestos praticados desde tempos imemoriais. Ele não deve ser procurado no passado mas numa irrupção presente, Ele está no meio de nós. 

A valorização do presente enquanto portador de um sobrevir não pode fazer-se sem a valorização do indivíduo: atenção permanente em relação aos mínimos gestos da vida cotidiana, bem como aos dramas da atualidade. Deus fez-se um de nós, para que nós nos tornássemos no que ele é, propósito inacreditável que valoriza infinitamente a nossa existência humana concreta. Não podemos, portanto, considerar as nossas vidas, nem este mundo, como uma ilusão de que seria necessário escaparmo-nos. 

O próximo não é apenas o que está perto, pelos laços de família, tribo, vizinhança, nação ou religião. É, sim, aquele de quem nos aproximamos. O próximo não é nem fixado nem predeterminado: será aquele que a iniciativa livre ou a caridade inventiva reconhecerem, qualquer que seja o resultado obtido, entregá-lo a Deus.  “Quem trabalha para Cristo sabe que é sempre um outro que semeia, um outro que colhe”, diz o papa Bento XVI.

Tarcisio Padilha Junior

*Engenheiro