A transição de Lula para Dilma

Um tró-ló-ló denuncia o baixo nível da disputa por cargos no Congresso e no governo antes da posse

A presidente eleita Dilma Rousseff tem afirmado a sua gratidão ao presidente Lula pela sua escolha para sucedê-lo e pelos conselhos da experiência de oito anos de governo. Até aí tudo bem. As naturais dificuldades começam a pipocar nas etapas seguintes, a partir da composição do novo ministério e da articulação do bloco da maioria nas duas casas do Congresso.

 O PT não conseguiu, como era óbvio, emplacar a maioria no Senado ou na Câmara: elegeu 88 deputados contra 79 do PMDB. Por enquanto, o blocão é formado pelo  PMDB (79), o PT (88), o PP (41), o PR (41), o PSB (34), o PDT (28), o PTB (212), o PSC (17), o PCdoB (15) e o PRB (8). 

 Não era o que Lula e Dilma esperavam. Também não é o caso de arrancarem os cabelos. Os gulosos líderes do PMDB tentaram um acordo de cavalheiros para um rodízio na Câmara, tal como na legislatura que agoniza engasgada pelos vexames do pior Congresso de todos os tempos. Mas a conversa empacou no Senado, onde o PMDB tem 20 dos 81 senadores e o PT, 14.

 Um tró-ló-ló que denuncia o baixo nível da disputa por cargos no Congresso e no governo. O líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), anunciou a montagem de um megabloco parlamentar em 2011 que, além de operar no Congresso, pretende negociar com a presidente eleita o rateio dos ministério. Acordo que não interessa ao PT, maltratado pela marginalização no governo do presidente Lula, quando nunca foi ouvido sobre coisa nenhuma.

 O líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves, confirmou que a premissa do bloco formado pelos partidos que apoiam o governo é garantir os espaços que não tiveram no governo de Lula. Trocado em moedas, o pedido do PT nada tem de modesto. O presidente do partido, José Eduardo Dutra, e os deputados Antonio Palocci (SP) e José Eduardo Cardoso (SP) entregaram à presidente Dilma a lista dos pedidos dos partidos aliados para o loteamento de pelo menos 16 ministérios.

 Na feira livre para o loteamento do botim só aparece o que se compra nas barraquinhas, e não é o mais importante. Tal como nas grandes mutretas das vantagens por baixo do pano. O que dispara os subsídios dos parlamentares para os espaços siderais é a penca do “por fora” do assalto ao cofre da Viúva, com a semana de dois a três dias de sessões, as passagens aéreas para o fim de semana nos lençóis domésticos, os 30 assessores dos gabinetes parlamentares, utilizados como cabos eleitorais e vadiagem dos recessos, das férias, da vadiagem de quem não tem o que fazer.

Mas, se Lula se distraiu em mais da metade do mandatos em viagens pelo mundo e o PT paga as contas, o governo deve pagar a orgia dos parlamentares.