Para desgosto de muitos contemporâneos seus, Sócrates acreditava que o melhor caminho para o conhecimento fosse o diálogo irrestrito com outras pessoas. Fazia uso regular desta possibilidade de comunicação para averiguar o seu próprio raciocínio a partir da ideia dos outros. Sua simplicidade encontra-se na maneira como conversava com os seus concidadãos. Nada tinha a ver com um diretor de escola que dá conferências a alunos que pagam os cursos que lhes dão. “Não sou homem que fale por dinheiro e que me cale se não me lo dão”, dizia. Ele contagiava especialmente os jovens atenienses com sua busca radical pela verdade.
Sócrates reconheceu que não existe caminho melhor para buscar a razão das coisas que perguntar. Quando somos levados a responder, sentimo-nos subitamente intimados a parar, revelar o que sabemos e o que não sabemos, em que acreditamos e o que consideramos impossível. Um saber reflexivo – que permite orientar-nos frente a determinadas circunstâncias e ter a capacidade de alcançar, apesar de toda complexidade, o cerne dos problemas e encontrar soluções realistas e razoáveis – torna-se cada vez mais importantes.
O notável pensador grego sustentava suas convicções de cujo caráter provisório tinha sempre consciência, até que algum erro de raciocínio ligado às mesmas fosse então provado. Apesar do fato de ficar com a razão em praticamente todos os seus diálogos e suas perguntas, ele enfatizava sempre que não se tratava de vencer, mas, através do diálogo, obter uma clara ideia a respeito do que não sabia. Sócrates era um bom cidadão, na medida em que permaneceu fiel até o fim ao sistema de estado com que se identificava.
*Tarcisio Padilha Junior é engenheiro