Vamos tentar colocar as coisas nos seus lugares, a começar pelas óbvias: a seleção da Rússia de vôlei feminino é a melhor do mundo e a ex-loura e atual morena Gamova, uma gigante de 2,02m, é considerada a melhor do mundo. Mas não entendo o desespero das moças da brilhante seleção do Brasil, sob o comando de José Roberto Guimarães, com a derrota na final, quando perdemos no tie break por 15 a 11.
Não é choro de inconformado, apenas um apelo ao bom-senso. A nossa seleção perdeu o título na véspera, na vitória contra a seleção japonesa, em jogo duríssimo, quando brilhou com as cortadas fulminantes de Natalia, Fabiana, Jaqueline e toda a seleção. O cansaço e o estresse da emoção reclamavam um descanso mínimo de dois dias. Mas os que fazem a tabela não entram em campo. E foi de uma evidência de entrar pelos bugalhos de míope que toda a equipe, depois de uma soneca ao fim da viagem, entrou na quadra sem fôlego, nervos e músculos para disputar uma final contra a melhor seleção feminina do mundo.
O técnico José Roberto Guimarães refrescou a memória com a lembrança de que a mesma seleção russa, com a Gamova, a Kosheleva e a fantástica Sokolova, foi derrotada pela nossa seleção na Olimpíada de Pequim, quando a medalha de ouro ficou com o Brasil. E a Sheilla, que foi vice no Mundial de 2006, no Japão, observa com lágrimas que a queda da nossa equipe foi maior no quarto set, “quando paramos de jogar”. A derrota da estafa ainda questiona o ponto não marcado pelo juiz coreano Kim Kum-tae, no lance polêmico em que o bandeirinha deu bola dentro.
As russas aproveitaram o cansaço das nossas jogadoras e cresceram na quadra. E sobrou para os cartolas brasileiros mais uma lição: não basta assistir ao jogo e bater palmas, mas acompanhar com rigor crítico a montagem do calendário, inclusive conferindo as distâncias nos deslocamentos.
A bagunça
O cacoete de 61 anos de profissão piscou o alerta para a bagunça que fermenta na disputa por ministérios, autarquias, cargos na mesa e as lideranças de bancadas nos esconsos de Brasília. Enquanto a presidente eleita Dilma Rousseff perde semanas irrecuperáveis acompanhando o seu inventor, presidente Lula, nos vazios do Congresso a assanhada bancada governista e a cautelosa oposição sem cacique para convocar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) tecem o tricô do rateio de cargos no pior Congresso de todos os tempos, para os acertos por baixo do pano. Há muito a ser servido na bandeja das mordomias, com a nomeação de parentes e cabos eleitorais a ser fatiada até a posse de Dilma, em 3 de janeiro de 2011.
*Villas-Bôas Corrêa é repórter político do JB