Que peão é esse?

O “Lulinha paz e amor” já não frequenta mais os palanques, pois o outro – aquele que é parceirão de Fidel Castro, Hugo Chávez e Ahmadinejad, que vê a democracia como um ambiente que precisa de controle para veicular o que o governo quer, e que quer extinguir os partidos que lhes fazem oposição – bem, esse outro é o que está no comando.

 

Sua indumentária reincorpora o vermelho e a estrela, que simbolizam o pensamento radical de esquerda, e o reaproximam, no momento certo, das massas que empunham bandeiras e frequentam os palanques, cujos líderes estão encastelados no poder, sugando recursos de toda a ordem, inclusive desonestos, em larga escala.  

 

E o que diz o presidente Lula, após dois governos de excelente aceitação pelo conjunto dos brasileiros: não querem que este peão dê certo! Que peão é esse a que Lula se refere? Será que é daquele trabalhador braçal, que, limitado pela falta de instrução, consome toda sua força física cortando cana, fazendo a roça, limpando as cidades? Será que ele se refere ao trabalhador que não é ouvido pela organização em que trabalha? Ou, ainda, será que ele se refere aos mais pobres?

 

O Lula, que venceu José Serra, era dono de um partido político, o PT, não fazia trabalho braçal, e era ouvido por toda a organização, tanto que sua vitória veio na quarta tentativa, e seu trabalho lhe rendeu recursos que lhe permitiam, à época, morar em uma cobertura duplex e ter um “sitiozinho” para descanso.

 

Definitivamente, Lula e sua família estão muito bem financeiramente, mas ele prefere ver-se como um peão revolucionário, que vai juntar as foices para combater a burguesia. Isso é muito conveniente, pois o mesmo povo de Lula, que é a opinião pública, segundo diz, vive o paradoxo de ter ascendido economicamente sem ter ido a lugar nenhum, pois o Bolsa Família é um peixe que lhe entregam de um mar que pode não estar pra peixe daqui a algum tempo. 

 

Em algum momento, as pessoas terão que se defrontar com a verdade, não essas bravatas confessas de um cara que já foi peão, mas a farsa que se apropria do trabalho dos outros, que se aproveita do ambiente sustentável para desconstruí-lo, paulatina e vagarosamente, que deturpa o ideal das pessoas que imaginavam um projeto de governo praticando um projeto de poder, que subverte o maior valor da cidadania, a ética, para depois confundir limitações humanas com absoluta falta de discernimento.

 

A verdade é que todas as pessoas decentes desejam um belo futuro para todos, pois não querem que ninguém se acomode em ser um eterno peão, muito menos, cego, mentiroso, manipulador, antiético, hipócrita e autocrata, pois esse peão em que qualquer um pode se transformar sempre cai do cavalo que não é seu.

* engenheiro de Transportes/COPPE/UFRJ