É preciso despertar nos jovens o gosto pelo voto

A pesquisa do  DataSenado, destacada ontem no JBOnline, é um bom tema para reflexão dos políticos. A enquete mostrou que 62% dos 1.315 entrevistados votariam nas eleições de outubro mesmo que não fossem obrigados. Um percentual que deveria ser bem maior, mas o detalhe importante vem agora: os entrevistados com mais de 60 anos apresentam o mais alto percentual: 75% deles exerceriam o direito ao voto, mesmo que a legislação não os obrigasse. Enquanto isso, só 55% dos jovens entre 16 e 19 anos iriam às urnas se o voto fosse facultativo.

A pesquisa mostra também resultado por regiões. A Região Sul apresenta maior porcentagem de eleitores afirmando que votariam mesmo não sendo obrigados (68%), seguida do Centro-Oeste (64%), Sudeste (62%), Nordeste (59%) e Norte (57%). Os que não votariam se o voto fosse facultativo são 37%, e na Região Norte 43% também não iriam às urnas – maior percentual entre as regiões.

A constatação é especialmente frustrante para as gerações que lutaram – alguns deram a própria vida – para exercer a cidadania nos anos 60, 70 e 80 através do voto, e não podiam devido ao regime militar. Às vezes é preciso não ter liberdade para dar-lhe o devido valor.

Mas tampouco se pode atirar pedras nos nossos jovens. A consequência dos anos de chumbo veio assim que se restaurou a democracia, e com ela vieram os efeitos colaterais – muitos candidatos despreparados, mal-intencionados ou ambos, o que levou os mais jovens a desistirem de participar da política partidária – preferindo a adesão a organizações não governamentais (ONGs), onde viam os resultados acontecerem.

Aos poucos, passado o efeito da água represada, o equilíbrio começa discretamente a ser alcançado, e o nível das candidaturas dá tímidos sinais de que pode voltar ao dos tempos em que havia pencas de lideranças políticas qualificadas e gabaritadas, à direita e à esquerda. Um país que se queira digno precisa que seus jovens recuperem o gosto pelo voto. Mas para isso é preciso mostrar-lhes de novo que há bons políticos em quem votar, e que haverá punições para quem não lhes honrar a deferência.