No começo do século, até a poliomielite foi atribuída ao efeito nocivo dos doces

A nutricionista Rachel John- son observou que as balas ofe- recem apenas6% doaçúcar adicionado da dieta america- na, enquanto bebidas doces e sucos fornecem 46%. – Há motivos para crer que o açúcar na forma líquida é na verdade pior que as balas – declara.– Issoporque ele enche o estômago e com isso dá menos espaçopara esco- lhas mais saudáveis. Há muitos blogs dedicados a experimentar, fotografare identificartipos obscurosde balas, como o

Candy addict

eo

Candy blog

, maso trabalhoda escritoraSamira Kawashnão se trata de gosto ou nostalgia. Ointeresse dablogueiraestá em esclarecer osfatores de controle, perigoe tentação que as balas trazem desde que se tornaram amplamente dis- poníveis, nos anos 80. Kawash explicaque, atéen- tão, a maioria dos doces era feita em casa, e balas duras compra- das em lojas, como as de menta, eram relativamentecaras. Os avanços tecnológicos é que per- mitiram que oaçúcar fosse ae- rado,amaciado earomatizado de novas formas, passando a ser vendido a preços mais baixos. No entanto, sempre houve o que a blogueira chama de “alarmistas dosdoces”, que alertavamque asbalaseram estimulantes e soníferas de- mais,envenenadas ousim- plesmente perigosas. Doces perigosos aparecem em mui- tos contos de fadas, um tema propagadona mensagemde segurança dos tempos moder- nos “Não aceite balas de estra- nhos”, e em temores públicos emrelação afalsificaçõese contaminações. Kawash lembra que no come- ço do século 20, na ausência de qualquer evidência,médicos culparam os doces pela disse- minação da pólio. Na década de 70, o açúcar refinado entrou pa- ra a lista de inimigos da contra- cultura alimentar,estimulado porcampeões devendascomo

Sugar blues

, livrode William Dufty, publicado em 1975 e que colocava o açúcar como uma droga viciante e extremamente danosa para o corpo humano. Para Kawash, a cárie era a ameaça de longo prazo na épo- ca. Mais recentemente, po- rém, o crescimentoglobal da obesidadegerou temoresem relação às “calorias vazias” das balas e doces.

Dentistas fazem alerta

Apesar disso, ainda que a blo- gueira procure esvaziar essa au- ra negativa das balas, especia- listasalertam queo grandevi- lão, naverdade, éa sacarose– açúcarcomum comercial,pre- sente nas guloseimas. – Todo alimento que tenha sa- carose tempotencial parapro- vocar cárie se a pessoa não fizer a higienização dos dentes – ex- plica Mauro Piragibe, dentista da AssociaçãoBrasileira de Odontologia. – As bactérias me- tabolizam a sacarose transfor- mando-a em um ácido que des- gasta o esmalte dos dentes.

NÚMEROS

– O blog de Samira Kawash difunde informações como a de que bebidas doces e sucos dão 46% do açúcar consumidos pelos americanos e as balas, só 6%The New York TimesCom o The New York Times