Baterista, Charles Gavin relembra o Rock in Rio 1985

Charles Gavin é baterista e apaixonado por percussão. Mas seu currículo vai muito além no meio musical: produtor, historiador, crítico. Em sua casa, Charles parece uma ilha cercada de vinis por todos os lados. Isso sem contar os cds, dvs,instrumentos e equipamentos de som.

Por conta desta experiência holística musical que buscamos de Charles um depoimento sobre o que representou a primeira edição do Rock in Rio para a música no país.

No verão de 1985, Charles vivia um momento especial em sua carreira. Após integrar o Ira!, e ter uma breve passagem pelo RPM, iniciava seu trabalho com os Titãs, que não constava entre as bandas brasileiras selecionadas para participar da primeira edição do Rock in Rio e fazia uma turnê paralelamente ao evento, no Rio Grande do Sul.

Reforçando o time dos que defendem a importância do evento para o fortalecimento da indústria nacional da música, Charles revela que o ineditismo do festival causou certo receio no meio musical quanto ao seu êxito, devido à grandiosidade da sua proposta.

Lembra também que sua realização evidenciou o distanciamento entre a infraestrutura das bandas americanas e da nacionais, sinalizando a necessidade de amadurecimento do mercado da música brasileira.

Contesta o line-up da direção musical, ao ignorar as bandas paulistas, em particular o Ultraje a Rigor que estava com várias faixas do disco 'Nós vamos invadir sua praia' nas paradas de sucesso. Para ele, o privilégio às bandas do Rio aconteceu em parte porque as gravadoras estavam (e estão no Rio), e voltavam-se para o que acontecia nesta cidade.

Charles ainda destaca o momento de empolgação, o glamour do pop rock mundial de atrações fantásticas, como a apresentação do Queen e do Whitesnake. Havia uma carência, este setor era ignorado pelo showbusiness brasileiro. E o Rock in Rio inaugurou um olhar para este segmento da música pop.