Diretores de escolas estaduais conhecem táticas de ocupação do Bope

A sede do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), em Laranjeiras, se transformou em ponto de encontro para 130 diretores de escolas estaduais da Região Metropolitana VI – que compreende 51 bairros entre o Recreio e Benfica. Nesta quinta-feira (20/10), os gestores foram convocados para conhecer as estratégias utilizadas pela tropa de elite da Polícia Militar durante o processo de pacificação.

O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, abriu a palestra e ressaltou a importância da participação da comunidade escolar na retomada do território pelo Estado e na multiplicação da informação. Segundo a pedagoga do Bope Rosemary de Carvalho, a interlocução junto às escolas tem como objetivo fazer com que o professor também se perceba um agente transformador, como mediador da segurança humana.

– A escola é espaço de neutralidade, mas ela negocia, gerencia crises, toma decisões. É importante que o professor entenda o papel da polícia e sua forma de agir, que eles tenham a sensação de paz e vejam que essas crianças podem ter uma nova perspectiva de vida, a partir do momento que não são mais reféns. Conhecendo o planejamento do Bope, os docentes passam esse conhecimento aos estudantes, que, por sua vez, se tornam multiplicadores da informação – avalia Rosemary.

Em sua palestra sobre a estratégia policial durante a retomada do território, o sargento Luiz Carlos Soares frisou a tática da guerra avisada, que dá aos criminosos a oportunidade de se entregarem. Segundo o militar, a medida serve para preservar a vida de policiais, de moradores e dos próprios criminosos.

Soares destacou ainda os três momentos cruciais da ocupação: o planejamento minucioso, que inclui o conhecimento da região; a intervenção na comunidade, com uso gradativo da força; e a estabilização, ou seja, a ocupação da região, antes dominada pelo narcotráfico, que é devolvida para a população com a UPP.

– Somos responsáveis pelo primeiro passo da pacificação, que é a aproximação com a comunidade, e queremos mostrar que todos têm direito de participar desse processo. A educação não é só fundamental, mas primordial na luta pela paz. Então, nada melhor do que nos aliarmos a uma organização que tem como missão multiplicar o conhecimento – disse o sargento.

Para o diretor-geral do Centro Integrado de Educação Pública (Ciep) Nação Mangueirense, Carlos Alberto Barbosa, a interação entre a direção das escolas e os efetivos que ocupam as comunidades representa uma parceria. A Mangueira, onde está localizada a escola, já está ocupada e receberá uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) em breve.

– Nós, professores, temos a missão de plantar a paz, e essa convivência com o Bope faz com que reconheçamos esse dever. A partir do momento que os policiais entram na escola e nos explicam o trabalho que vão fazer, eles passam a ser parceiros. Isso mostra a preocupação da polícia em relação à segurança da população e acaba com o estigma de que a polícia só entra na favela para reprimir – obseervou o professor, que recebeu uma homenagem da corporação por seu trabalho de conscientização da população.