Mãe que denunciou PMs a juíza morta diz se sentir insegura

A mãe de um jovem de 21 anos morto em 2007 por um grupo de extermínio e que investigou sozinha o assassinato do filho disse ao Fantástico que se sente insegura com a morte da juíza Patrícia Acioli. A mulher, que não se identificou, disse que levou todos os dados da investigação que fez sobre a morte do filho à juíza, morta com 21 tiros dentro de seu carro em 11 de agosto. 

Ela foi intimada a participar do julgamento de três policiais envolvidos no grupo de extermínio no mesmo dia do assassinato de Patrícia. Ela afirma que, quando levou as informações que descobriu sobre a morte do filho - incluindo o celular de um rapaz conhecido como "Rodriguinho", acusado de matar com a cobertura de policiais e também a pedido deles, além se ser informante da polícia -, a juíza cancelou todas as audiências e conversou com ela por 12 horas.

"Eu levei o número dele para a doutora Patricia Lourival Acioli. Quando eu comecei a falar e citar nomes de policiais que estavam envolvidos, ela mandou que suspendessem todas as audiências dela que ela tinha muito que conversar comigo", afirmou. A mulher disse que a juíza garantiu que enquanto estivesse viva, ela e sua família estariam seguras. 

Segundo o Fantástico, o julgamento de três polícias militares ligados à quadrilha que matou o rapaz estava marcado para o mês que vem. "Se mataram uma juíza, imagina a mim", disse a mãe. A irmã de Patrícia também falou ao programa, e disse que é fundamental que não só os executores sejam presos, mas também os mandantes, para que a morte da irmã "não vire mais uma estatística".

Juíza estava em "lista negra" de criminosos

A juíza Patrícia Lourival Acioli, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, foi assassinada a tiros dentro de seu carro, por volta das 23h30 do dia 11 de agosto, na porta de sua residência em Piratininga, Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Segundo testemunhas, ela foi atacada por homens em duas motos e dois carros. Foram disparados mais de 20 tiros de pistolas calibres 40 e 45, sendo oito diretamente no vidro do motorista.

Patrícia, 47 anos, foi a responsável pela prisão de quatro cabos da PM e uma mulher, em setembro de 2010, acusados de integrar um grupo de extermínio de São Gonçalo. Ela estava em uma "lista negra" com 12 nomes possivelmente marcados para a morte, encontrada com Wanderson Silva Tavares, o Gordinho, preso em janeiro de 2011 em Guarapari (ES) e considerado o chefe da quadrilha. Familiares relataram que Patrícia já havia sofrido ameaças e teve seu carro metralhado quando era defensora pública.