Os advogados do ex-jogador Edmundo protocolaram, às 12h45, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, um pedido de habeas-corpus para que ele seja solto. Segundo a assessoria do TJ-RJ, o pedido será encaminhado para a segunda vice-presidência do tribunal, que decidirá quem julgará o pedido.
Enquanto isso, policiais civis deixaram o Rio de Janeiro na manhã desta quinta-feira e devem chegar a São Paulo por volta das 15h para buscar o ex-jogador e atual comentarista esportivo Edmundo Alves de Souza Neto, 40 anos, preso na capital paulista.
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Segundo o delegado Eduardo Castanheira, da 3ª Delegacia Seccional de São Paulo, o trajeto será feito em viaturas da Polícia Civil fluminense. O ex-jogador, que estava foragido após ter um mandado de prisão expedido no Rio de Janeiro, foi encontrado em um flat, localizado na rua Amauri, 513, no Itaim Bibi, Zona Sul da capital, por meio de uma denúncia anônima. A polícia chegou ao local à 0h30 e foi recebida pelo comentarista, que estava calmo. Edmundo, depois de ligar para o advogado, foi conduzido à 3ª Delegacia Seccional.
Segundo o delegado, Edmundo reagiu com surpresa à chegada dos policiais ao apartamento onde estava hospedado em um flat em São Paulo. De acordo com Castanheira, Edmundo não esperava ser abordado de madrugada. Durante a madrugada, Edmundo ficou acomodado sozinho em uma sala da delegacia com portas de vidro. Jornalistas aguardavam por novidades ao lado de fora desta sala.
Aparentemente tranquilo, mas abatido segundo os policiais que tiveram um contato mais próximo, o ex-atacante recebeu um advogado, que levou leite com chocolate, o único alimento que ingeriu durante o período no qual ficou na sala. Pela manhã, Edmundo foi levado ao Instituto Médico Legal (IML), onde fez exame de corpo de delito. Ele não quis falar com a imprensa no trajeto. O comentarista deixou o local em uma viatura descaracterizada da Polícia Civil, uma Parati vermelha. Por volta das 8h50 desta quinta-feira, Edmundo foi levado para uma cela da carceragem da 3ª Delegacia Seccional, em São Paulo. Segundo o delegado Eduardo Castanheira, o ex-jogador irá permanecer no local até a sua transferência para o Rio de Janeiro.
Três mortes na Lagoa
Na madrugada do dia 2 de dezembro de 1995, quando saía de uma boate na Lagoa, zona sul do Rio de Janeiro, o então jogador do Flamengo chocou seu Jeep Grand Cherokee com um Fiat Uno. No acidente, morreram Joana Maria Martins Couto, Carlos Frederico Britis Tinoco e Alessandra Cristini Pericier Perrota, que estavam no outro automóvel. Outras três pessoas ficaram feridas - Roberta Rodrigues de Barros Campos, Débora Ferreira da Silva e Natascha Marinho Ketzer.
O laudo da perícia apontou que o jogador estava em alta velocidade. Em março de 1999, Edmundo foi condenado a quatro anos e seis meses de prisão, em regime semiaberto. O ex-jogador chegou a passar uma noite na cadeia em função dos homicídios culposos de três pessoas e lesões corporais - também culposas - nas outras três vítimas. A defesa de Edmundo recorreu, mas a 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça manteve a decisão no dia 5 de outubro de 1999.
Em 2008, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou a oitava tentativa do ex-jogador de anular a condenação e manteve a pena. Na última terça-feira, o juiz Carlos Eduardo Carvalho de Figueiredo, da Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro, determinou a expedição de mandado de prisão contra Edmundo.
Segundo o advogado Arthur Lavigne, que representa Edmundo, o processo está prescrito desde 2007. "Em 2010, o Ministério Público reconheceu a prescrição e tanto a defesa quanto a acusação concordaram. O juiz, que é novo na Vara, entendeu que não havia prescrição. Não sei qual é a fundamentação dele. (...) Estamos todos surpresos, é uma decisão sem cabimento", disse Lavigne. Entretanto, para o juiz, ainda não ocorreu o lapso temporal exigido pela lei para prescrever a condenação, que no caso do ex-jogador é de 12 anos.
Com informações do Portal Terra