Parte dos manifestantes que estão há 96 horas alojados diante da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro para pedir a libertação dos 439 bombeiros grevistas presos fez uma pausa no protesto, nesta quarta-feira, para escutar, em um auditório anexo da Casa, dois dos três defensores públicos encarregados das iniciativas legais para soltar os homens, desde domingo detidos na unidade do Quartel de Niterói, em Charitas. Os defensores entraram com pedido de relaxamento de prisão e liberdade provisória aos bombeiros alegando que o auto de prisão em flagrante não foi entregue à Defensoria e que não houve a individualização da acusação de cada um dos 439.
>>Deputado federal propõe anistia a bombeiros grevistas do Rio
Segundo Luiz Felipe Drummond, um dos defensores responsáveis pelo processo, o alto número de presos não é motivo para que o órgão não tenha sido devidamente informado. A Defensoria acredita que o processo de análise do pedido possa durar de três a cinco dias. Drummond informou às famílias que tem visitado o grupo diariamente. Eles fazem reuniões periódicas para discutir a situação. Mesmo que o governo tenha sinalizado com a possibilidade de transferência dos presos para quartéis próximos de suas residências, para facilitar a visita de familiares, os bombeiros preferiram permanecer unidos. Os defensores vão se encontrar novamente nessa tarde com os presos.
Os bombeiros foram detidos no último sábado após o Batalhão de Operações Especiais (Bope) ter retomado o Quartel General da corporação, onde eles realizavam protestos por melhores salários e concessão de vale transporte. Após serem levados para o Batalhão de Choque da PM, os presos acabaram transferidos para a Corregedoria da PM, em São Gonçalo. No domingo, foram encaminhados para a unidade em Charitas. Após a prisão, diversos manifestantes se encaminharam para a frente da Assembléia Legislativa, onde montaram acampamento e iniciaram protesto pela libertação dos presos. Desde sábado, não ocorreram atos violentos. O Batalhão de Choque aliviou a segurança ao redor da manifestação, que segue ordeira nas escadarias do Palácio Tiradentes.
Ontem, o novo comandante geral dos bombeiros, coronel Sérgio Simões, afirmou que a corporação não tem a capacidade legal para pedir a soltura dos bombeiros. Ele tenta retomar negociações. Uma nova reunião entre os manifestantes e o comando da corporação está prevista para quinta-feira. Os bombeiros afirmam que só haverá diálogo após a libertação dos presos.