O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, justificou em nota divulgada neste domingo a prisão de bombeiros que invadiram um quartel na noite de sexta-feira em protesto por melhores salários. Segundo Cabral, os bombeiros levaram crianças para usá-las como escudo durante a manifestação e, além disso, estavam com marretas.
"Invasão, por si só, já é um confronto", diz o governador. "Com marretas, é planejar uma possível batalha. Com crianças, é um crime", complementa. Cabral afirma que os bombeiros foram imprudentes e inconsequentes e 439 bombeiros foram presos "pela irresponsabilidade de seus atos".
Leia a nota na íntegra
"O Estado do Rio de Janeiro tem 17 mil bombeiros, que historicamente orgulham governo e população.
Um grupo de manifestantes da categoria conduziu um gesto de imensa irresponsabilidade ao invadir, na noite de 4/6, o quartel central dos bombeiros - um bem público e santuário da corporação.
Esse grupo qualificou de 'manifestação pacífica' a invasão para a qual levou crianças junto a marretas, utilizadas em agressões. Ninguém planeja levar marretas para 'manifestações pacíficas'. E é incomensurável a gravidade de unir armas a crianças - expondo-as a todo tipo de risco - por parte daqueles que se apresentaram como líderes da manifestação.
A imprudência dessas pessoas com seres inocentes, com a ordem pública, e com as suas próprias regras hierárquicas deve e está sendo punida.
Houve aqueles que, induzidos pelos que conduziram essa manifestação, aderiram inconsequentemente à invasão. Somando os ditos líderes da manifestação com os que se deixaram induzir por eles chega-se a 439 bombeiros presos pela irresponsabilidade de seus atos.
Bombeiros são homens bravos que salvam vidas. Repito: são 17 mil no estado. Bombeiros que honram a sua farda jamais levariam crianças como escudos humanos inocentes a um ato contra a ordem pública como este, iniciado com uma invasão do quartel central.
Invasão, por si só, já é um confronto.
Com marretas, é planejar uma possível batalha.
Com crianças, é um crime.
Os milhares de bombeiros, que orgulham o nosso estado e são leais à premissa do salvamento, têm e merecem do Governo do Rio de Janeiro o diálogo - sempre e reafirmadamente aberto - no caso, por meio da Secretaria de Saúde e Defesa Civil e do Comando Geral do Corpo de Bombeiros."
Manifestação e invasão de quartel
Parte dos cerca de dois mil manifestantes que invadiram o quartel dos Bombeiros na sexta-feira fizeram um escudo humano com as mulheres que participaram do protesto para impedir a entrada da cavalaria da PM no local. Um carro que estava estacionado no pátio do quartel foi manobrado para bloquear a entrada.
Na noite de sexta-feira, o comandante do Batalhão de Choque, coronel Waldir Soares Filho, foi foi ferido na perna. "Agora a briga é com a PM", avisou o comandante-geral, Mário Sérgio Duarte, ao saber da agressão. Ele foi ao pátio da corporação com colete a prova de balas e bloqueou com carro a saída do QG. Por volta das 22h, alertou que todos seriam presos se não deixassem o quartel. Mário Sérgio prendeu o ex-corregedor da PM coronel Paulo Ricardo Paul, que apoiava o protesto. O secretário de Saúde e Defesa Civil do estado, Sérgio Côrtes, decidiu antecipar a volta dos EUA ao Rio.
Os bombeiros espalharam faixas, a maioria pedindo "socorro" para a categoria. Relações públicas da corporação, o coronel Evandro Bezerra afirmou que caberia à Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil decidir o que seria feito. A manifestação teve início por volta das 14h, na escadaria da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Mais de 4 mil pessoas participaram do protesto, que seguiu pela área central de vias como a rua Primeiro de Março e a avenida Presidente Vargas. Os manifestantes soltaram fogos de artifício e foram acompanhados por policiais militares, mas o protesto seguiu de forma pacífica. De acordo com estimativas dos líderes da manifestação, mais de 5 mil pessoas participaram da passeata.
Os protestos de guarda-vidas começaram no mês passado, com greve que durou 17 dias e levou cinco militares à prisão. A paralisação acabou sendo revogada pela Justiça. Eles voltaram às ruas com apitaço e fogos de artifício. À tarde, pelo menos três mil protestaram na escadaria da Assembleia Legislativa (Alerj). Um dos líderes do movimento, cabo Benevenuto Daciolo, explicou que eles voltaram às ruas porque até agora não teriam recebido contraproposta do estado sobre a reivindicação de aumento do piso mínimo para R$ 2 mil. Segundo ele, os guarda-vidas recebem cerca de R$ 950.