Governo lança campanha de desarmamento no Rio

Cabral disse que objetivo este ano é mobilizar toda a sociedade

 

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes lançaram no Rio de Janeiro, em cerimônia nesta manhã no Palácio da Cidade, a Campanha Nacional de Desarmamento 2011, intitulada “Tire uma Arma do Futuro do Brasil”. O objetivo da campanha, que reúne órgãos governamentais e várias entidades da sociedade civil, é recolher o maior número possível de armas e, assim, aumentar a segurança dos brasileiros. A ação, que se baseia no Estatuto do Desarmamento, será realizada até 31 de dezembro, para estimular o cidadão que tenha uma arma em casa a se desfazer dela. 

- Uma arma na mão de uma pessoa que não é capacitada é um risco sempre. É sempre uma vida interrompida. E é tão mais escandaloso quando a vida interrompida é de uma criança ou adolescente. Mas é sempre trágica a interrupção de qualquer vida. Portanto, vamos todos nos mobilizar. Tenho certeza que essa campanha vai sensibilizar todo mundo – disse o governador. 

Cabral afirmou que é importante a campanha estar sendo realizada mais uma vez este ano (está em sua terceira edição). Segundo ele, grandes causas só são alcançadas com muita insistência. Como exemplo, ele lembrou as campanhas pelos direitos civis dos casais homossexuais, que resultaram em vitória com a decisão tomada ontem pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de garantir as mesmas regras aplicadas a relações estáveis heterossexuais previstas no Código Civil.

- Lutamos tanto contra o preconceito. Entramos, em 2008, com ação no STF para que a opção sexual das pessoas não restringisse os seus direitos e, ontem, o Supremo, por unanimidade, deu ganho de causa ao amor, à vida e à liberdade – comemorou o governador. 

Garantia de anonimato

Desta vez, a campanha pelo desarmamento traz algumas novidades em relação às outras duas que já foram realizadas: o anonimato para quem entregar a arma; a inutilização da arma no ato da entrega; a indenização mais rápida; e a ampliação da rede de recolhimento. Essas medidas foram implementadas para facilitar todos os trâmites para quem quiser participar da campanha entregando sua arma. 

O coordenador do programa de controle de armas do Viva Rio, Antônio Rangel, disse que essas mudanças, principalmente a que garante o anonimato completo de quem vai entregar a arma, vai trazer muito mais resultados agora. 

- Muita gente acha que só pode entregar armas legalizadas, mas as armas ilegais também podem ser entregues, justamente porque seus donos terão a garantia de que não terão problemas com a Justiça, já que estarão protegidos pelo anonimato total. É a oportunidade das pessoas se desfazerem de um objeto que é perigosíssimo de se ter por perto. As pesquisas feitas no mundo mostram que a proximidade de uma arma pode causar diversas tragédias. Todo mundo está sujeito a um transtorno de conduta, e, num momento de descontrole emocional, tendo uma arma de fogo por perto, pode acabar fazendo uma besteira – explicou Antônio.  

Pais de alunos de Realengo ser reúnem com ministro

Um grupo de pais de alunos de vítimas da tragédia da Escola Municipal Tasso da Silveira, de Realengo, que foi invadida por um atirador no último dia 7 de abril, participa da cerimônia. Raimundo Nazaré de Freitas, pai de um desses alunos, informou que, após a cerimônia, eles vão entregar ao ministro da Justiça, em audiência especial, uma pauta de reivindicações para reforçar a segurança das escolas públicas. Entre as reivindicações, estão, por exemplo, a instalação de detectores de metais nas escolas, o agendamento para permitir a entrada de pessoas estranhas, a contratação de seguranças e o aumento do número de guardas municipais ou policiais militares próximos às escolas. Para batalhar pela segurança das crianças nas escolas, eles estão fundando a Associação dos Familiares e Amigos dos Anjos de Realengo.

Mais tarde, a Ceasa-RJ (Centrais de Abastecimento do Estado do Rio de Janeiro) vai entregar para inutilização 77 armas e munições que pertenciam ao patrimônio da unidade Grande Rio e estavam sendo utilizadas por seguranças funcionários da instituição.

As armas estavam acauteladas no 41º Batalhão de Polícia Militar desde o mês de fevereiro, quando foram retiradas de circulação pelo presidente do órgão, Leonardo Brandão.

Aqueles que entregarem armas receberão uma indenização, que varia de R$ 100 a R$ 300, dependendo do tipo de arma. O presidente Leonardo Brandão informa que o dinheiro arrecadado pelo órgão será revertido para os programas sociais da Ceasa.