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Ministério Público denuncia crime que ficou conhecido como‘Trama Macabra’ em Petrópolis

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“Uma trama macabra”, assim definiu a Promotora de Justiça Maria de Lourdes Féo Polônio, titular da Promotoria de Justiça de Investigação Penal de Petrópolis, o crime que chocou a cidade da Região Serrana há dois anos e durante algum tempo permaneceu um mistério. No dia 19 de agosto de 2009, um homem encapuzado entrou na residência de Hercílio José Ioras, de 79 anos, onde também morava sua neta, Patrícia do Prado Ioras, e os matou.

O namorado dela, Pedro Frederico Hammes Gonçalves, também foi atacado, mas sobreviveu.  As investigações mostraram que filho de Hercílio e pai de Patrícia, Luiz Felipe Bahiense Ioras, foi um dos principais agentes do crime. O objetivo era ficar com o dinheiro do seguro de vida de Hercílio. 

De acordo com a denúncia, após invadir o imóvel, o executor do crime, Edson Ferreira, o “Neno”, que vestia um casaco de couro marrom, amarrou o jovem casal, surpreendido enquanto dormia, obrigando os dois a beber grande quantidade de álcool e a cheirar cocaína até que ficassem completamente entorpecidos. Depois, o assassino asfixiou a adolescente com uma fronha de travesseiro e pôs uma faca nas mãos do namorado dela, ordenando que ele cortasse os próprios pulsos. 

Quando Hercílio, que sofria de problemas cardíacos, entrou em sua casa, foi agredido, jogado ao chão e obrigado a olhar para a cena, o que acabou ocasionando um infarto.

O criminoso, no entanto, não sabia que Pedro Frederico fingia estar bem mais drogado do que de fato estava. Assim que o assassino saiu, supondo que todos estavam mortos ou quase, o rapaz arrastou-se até a casa do vizinho, onde obteve ajuda. O bandido ainda deixou o gás de cozinha aberto para garantir que ninguém sobreviveria.

 

Trama Macabra 

A investigação do crime revelou uma trama sórdida. Da quadrilha, faziam parte a amante de Luiz Felipe e irmã de “Neno”, Elizabeth de Fátima Domingues Ferreira, a “Keka”; a amante de Neno, Selma Aparecida Andrade de Souza; e um quinto denunciado, Otacílio de Oliveira, conhecido como “Tacilinho”.  

O plano consistia em Selma casar-se com Hercílio – o que aconteceu uma semana antes da execução do crime para que o filho recebesse o dinheiro do seguro e ela, pensão vitalícia. Para isso, por razões contratuais, a morte do idoso precisaria ser por causas naturais – daí toda a sucessão de crueldades que tinham como objetivo levá-lo a sofrer um infarto.  

A trama começou a ruir quando o MP e a polícia desconfiaram da viúva.  Selma pediu a retificação da certidão de óbito do idoso, em que Hercílio aparecia como viúvo de outra mulher e não como sendo casado com ela.

A partir de ampla investigação chegou-se ao amante de Selma, Edson, que fora testemunha do casamento e que já havia extorquido dinheiro do idoso em outras situações – Hercílio costumava pagar as dívidas do filho viciado. Com um mandado de busca e apreensão, a polícia foi até a casa do suspeito e encontrou o casaco descrito pelo sobrevivente. Na delegacia, ele reconheceu a voz de Edson e vários traços físicos.  

O Ministério Público requereu à 1ª Vara Criminal Criminal de Petrópolis que decretasse a prisão preventiva dos cinco denunciados, sendo que três deles já estão presos temporariamente. Eles foram denunciados pelos crimes de homicídio qualificado, tentativa de homicídio e formação de quadrilha. Em caso de condenação, as penas somadas  podem chegar a até 83 anos.