Mãe de assassina diz que filha teve ajuda para entrar em casa da menina Lavínia

RIO - A mãe de Luciene Reis Santana, assassina confessa da menina Lavínia de Oliveira, de 6 anos, revelou que a filha teve ajuda de outra pessoa para entrar na casa da criança, na madrugada de segunda-feira, em Duque de Caxias. Neide Reis acompanhou o depoimento de Luciene à polícia nesta quinta-feira, mas não revelou o nome do cúmplice. Após ser retirada de casa, Lavínia foi morta em um quarto de hotel no Centro de Caxias.

No depoimento à polícia, Luciene contou que, depois de tirar Lavínia de casa, levou a garota para a sua residência. Em seguida, vestiu Lavínia com uma das roupas de suas três filhas e saíram para comer batatas fritas. Logo depois, foi a um hotel, onde cobriu a cabeça da menina com uma toalha, para que ela não fizesse barulho. Pegou então um travesseiro e sufocou a criança por quase dez minutos.

Luciene deixou o hotel e foi direto a um laboratório fazer um exame de gravidez, a fim de criar um álibi.

O avô de Lavínia, Adão do Carmo de Oliveira, também disse acreditar que a assassina teve a ajuda de pelo menos uma pessoa para tirar a menina de casa na madrugada de segunda-feira. "Para ela chegar ao quarto da Lavínia precisaria da ajuda de alguém. Ela precisaria subir dois lances de escada que fica na parte interna da casa", disse Adão. 

Corpo da menina Lavínia é enterrado sob aplausos

Foi enterrado sob aplausos, nesta quinta-feira, no Cemitério do Corte 8, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, o corpo da menina Lavínia Azeredo, de 6 anos. Cerca de 400 pessoas acompanharam o funeral, entre elas, familiares, amigos, professores e alunos da escola onde a criança estudava. Todos usavam camisas pretas. Ao final da cerimônia, ouviu-se um coro de "Justiça" e "assassina". O pai de Lavínia, Rony Oliveira, que chegou carregado ao velório da filha, foi novamente amparado após o enterro.

Lavínia, que completaria 7 anos no próximo dia 13, foi encontrada morta na quarta-feira em um hotel no Centro de Caxias. A provável causa da morte foi asfixia, já que a menina foi encontrada com o cadarço do tênis enroscado no pescoço. O crime, segundo a polícia, foi cometido pela amante do pai, Luciene Reis, que está presa na carceragem da Polinter de Magé.

Luciene Reis deixou a 60ª DP (Campos Elisios) e foi transferida para a carceragem feminina da Polinter de Magé, na Baixada Fluminense, na noite desta quarta-feira. Ela foi levada sob um forte esquema de segurança.

Luciene confessou o crime durante um depoimento que durou quatro horas. Segundo a polícia, a mulher chorou várias vezes e insistia em negar o crime. A presença da mãe, porém, fez ela confessar a culpa na morte de Lavínia. Como forma de protesto, populares jogaram objetos e um homem foi detido.

Segundo o titular da 60ª DP, delegado Robson Costa, imagens de câmeras do circuito interno de um ônibus mostraram a menina com Luciene Reis logo após o sequestro, na última segunda-feira.

A polícia trabalha com duas hipóteses para o caso. A primeira aponta para um possível sequestro da menina em troca de um pagamento de R$ 2 mil, que seria utilizado para a compra de um carro. A outra é que Luciene não aceitava que o pai da criança não vivesse só com ela. O delegado, no entanto, não acredita na participação de Rony no crime.