Funk: MCs trocam as letras de violência e sexo por mensagens de amor e liberdade

RIO - Quem frequenta bailes funk nas comunidades pacificadas do Rio já percebeu a diferença. MCs e DJs entraram de vez no espírito de paz do programa de pacificação, substituindo antigas canções impostas pelo tráfico, que exaltavam o sexo e a violência, por “pancadões” de amor e liberdade.

Segundo reportagem publicada no jornal espanhol El País, a retomada dos territórios, antes ocupados por traficantes e milicianos, tem revolucionado a música nas comunidades e ajudado a valorização dos imóveis e da economia local.

Na opinião do rapper Don Capuccino, morador do Morro da Fé, na Vila da Penha, Zona Norte do Rio, a evolução do som mais popular das comunidades já é fato e veio para ficar. – Assim como eu, muitos autores de rap e funk têm como ideologia a positividade. Os frequentadores dos bailes começam a ver que para tudo tem solução e é isso o que hoje estão ouvindo e cantando, tanto na periferia como nas casas noturnas da Zona Sul – disse.

Além da mudança na música, a sensação de segurança está expressa em números. Uma pesquisa divulgada ontem pela Fundação Getúlio Vargas sobre a percepção da presença do Estado no cotidiano dos cariocas apontou que 76% dos Moradores do Complexo do Alemão têm expectativa quanto à melhora da qualidade de vida e que 72% deles são favoráveis à instalação de uma UPP no local.