Integrantes do grupo de milicianos Liga da Justiça são inocentados por testemunha

Os dois sobreviventes da  tentativa de homicídio da milícia Liga da Justiça negaram nesta quinta-feira, dia 24, durante julgamento no plenário do 4º Tribunal do Júri da capital, a participação de Luciano Guinâncio Guimarães, filho do vereador Jerominho e sobrinho do ex-deputado Natalino Guimarães, e de mais outros cinco réus no crime. Arrolados como testemunhas de acusação pelo Ministério Público estadual, Carlos Eduardo Marinho dos Santos, na época dos fatos, segurança de um condomínio na região, e o ex-PM Marcelo Gouveia Bezerra disseram que foram vítimas de uma tentativa de assalto. O julgamento deve acabar no final da noite de hoje. 

Como a versão apresentada pelas vítimas é diversa daquela prestada às autoridades policiais e na fase de instrução do processo criminal, inclusive com a assinatura de ambos, a juíza Elizabeth Machado Louro, presidente do 4º Tribunal do Júri, atendeu pedido do promotor de justiça Luciano Lessa e determinou que os dois ficassem acautelados na carceragem do Fórum Central,  até o  final de todos os depoimentos: cinco testemunhas de defesa (já ouvidas) e o interrogatório dos seis réus). O promotor Luciano Lessa disse que há possibilidade de uma nova inquirição ou acareação.   

Segundo denúncia do MP, a picape em que Carlos Eduardo e Marcelo Gouveia estavam foi s alvejada por 35 tiros, entre eles, de fuzil, no sinal de trânsito da Rua Aricuri, próximo ao número 1.271, em Campo Grande. O motivo do crime seria disputa entre milícias e vingança porque Carlos Eduardo, que estava ao volante do veículo, resistiu à ocupação de parte de um terreno dentro do condomínio em que era segurança, a fim de que a Liga da Justiça instalasse um centro social para atividades políticas e eleitorais. 

Escoltados por agentes federais e policiais militares, além de Luciano Guinâncio, estão no banco dos réus: Fábio Pereira de Oliveira e os PMs Moisés Pereira Maia Júnior, Júlio Cesar Ferraz de Oliveira, Ivilson Umbelino de Lima e Silvio Pacheco Fontes. O julgamento começou por volta das 10h30. 

O primeiro a depor foi Carlos Eduardo, que disse não reconhecer nenhum dos acusados como autores do atentado. A testemunha falou ainda que  sofre de esquizofrenia e que faz uso de vários medicamentos e que nunca houve qualquer ameaça ou animosidade entre ele e os denunciados. Para o promotor de justiça Luciano Lessa, as declarações da vítima jogam por terra todos os decretos de prisão dos réus. 

“Estes homens estão presos exclusivamente para preservar os depoimentos das testemunhas, no interesse da própria segurança das vítimas. Está difícil acreditar no que o senhor está falando. Eu não sei mais o que estou fazendo aqui”, ressaltou o promotor de justiça. 

Ao ser questionado pelo MP sobre o número de tiros disparados contra o carro, o que não caracterizaria um crime de roubo, o ex-PM Marcelo Bezerra garantiu que “com certeza foi uma tentativa de assalto”. A testemunha negou, inclusive, laudo da perícia que comprovou vestígios de disparos de dentro da picape para fora, além do fato de terem encontrado no carro das vítimas um casaco marrom com uma touca ninja no bolso.