A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro vai implantar, este ano, um sistema centralizado de dados online para agilizar investigações e ações preventivas de combate ao crime no estado, especialmente em grandes eventos. O Centro de Comando Virtual (CCV) será operado pela PM, mas estará interligado com todas as forças de segurança federais, estaduais e municipais no Estado do Rio. O sistema será montado a partir de um software cedido pelo FBI (Federal Bureau of Investigation), órgão nacional de segurança dos Estados Unidos. A informação foi divulgada pelo relações públicas da PM, coronel Lima Castro, antes do treinamento de prevenção a lesão e morte de policiais que o FBI está ministrando, nestas quarta e quinta-feiras, para 150 policiais militares, no auditório da Academia de Polícia Militar D. João VI, em Sulacap, Zona Oeste do Rio. O bureau americano já vem empregando este sistema em grandes concentrações e eventos, tanto em território americano como em outras partes do mundo, há 15 anos. Agentes do FBI transmitirão a tecnologia para um grupo de PMs, indicados pelo comando da corporação, de segunda a quinta-feira da próxima semana, com o objetivo de implantá-la no estado. O sistema já foi experimentado pela primeira vez em novembro do ano passado no Engenhão, por ocasião do jogo Fluminense x Vasco, pelo Campeonato Brasileiro, e o segundo teste será agora no Carnaval. O CCV se constituirá de uma página na Internet com acesso restrito, onde policiais treinados poderão enviar e coletar dados e informações sobre pessoas, veículos e quaisquer situações suspeitas em tempo real. Os dados são disseminados numa rede de órgãos de segurança que ajudarão na elucidação do caso. O projeto do FBI está sendo implantando primeiramente no Estado do Rio em função do movimentado calendário de eventos, esportivos ou não, programado para os próximos anos, mas a intenção do órgão, segundo o adido policial da Embaixada America, David Brassanini, é cedê-lo para outras polícias do país. "Já realizamos treinamentos em outros estados, mas não estamos tão avançados quanto aqui", afirmou Brassanini. Segundo o coronel Lima Castro, o CCV será uma ferramenta muito útil para a segurança do estado pela capacidade de agilizar as investigações. "Por exemplo, um policial comunica ao centro, por rádio ou celular, que há um táxi suspeito em tal rua. O centro digita a mensagem e a dissemina na rede. Logo, poderemos receber informações de que esse mesmo veículo foi visto três vezes por três policiais distintos em três locais diferentes. Então, aquele primeiro policial poderá receber uma ordem, em minutos, para abordar o carro", explicou o coronel Lima Castro. Treinamento Sete agentes do FBI estão no Rio para ministrar um treinamento de prevenção a lesão e morte de policiais. Este sistema começou nos EUA em 1982 e vem obtendo grande êxito, segundo o adido da Embaixada americana. O curso é dirigido a comandantes de batalhões e chefes de departamentos que depois repassarão o conhecimento aos comandados. A meta é conseguir a redução de mortes de PMs, hoje numa média de 100 por ano, a maior parte ocorrida nos momentos de folga. O acerto para o intercâmbio aconteceu depois do evento teste do CCV, em novembro passado, quando os agentes do FBI tomaram conhecimento do número de casos fatais na PM fluminense. De 1995 a 2011, foram 459 mortes em serviço e 1.843 nas folgas. Só em 2011, já morreram 13 policiais militares, nenhum em serviço. Nos EUA, depois da aplicação do treinamento preventivo, a média por ano caiu para 45 mortes criminalmente, isto é, em confrontos a tiros, e 65 acidentais em serviço – o FBI não computa morte de policiais em folga, segundo Brassanini. O coronel Lima Castro disse que a PM só fixará uma meta de redução das mortes no estado depois do curso dado aos policiais. "Precisamos diminuir o número de mortes de nossos policiais que, comparado com outras atividades, é muito alto. O método dos americanos foi fundamentado em um criterioso trabalho de estatísticas sobre rotinas de seus policiais. Ele provou que essas mortes ocorrem sempre com determinadas rotinas e procedimentos. Com isso, os índices despencaram lá. Por isso, propusemos que agentes do FBI viessem ao Rio para transmitir a metodologia aos nossos policiais" explicou Lima Castro. O FBI é a unidade primária do Departamento de Justiça dos Estados Unidos que serve como um organismo investigativo criminal de âmbito federal e também de serviço de inteligência doméstico. O FBI tem jurisdição investigativa sobre as violações de mais de 200 categorias de crimes federais. O órgão hoje possui 12 mil agentes e 25 mil profissionais de apoio.