Corregedor diz que prefeituras podem estar envolvidas em esquema criminoso

 

Depois de chegar na sede da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), o corregedor interno da Polícia Civil, Gilson Emiliano Soares, afirmou que segundo denúncias apresentadas conta a delegacia, além de empresários envolvidos em procedimentos ilícitos, há também suspeitas de que prefeitura participem do esquema. As denúncias que culminaram na operação desta segunda, com uma devassa em diversos documentos da Draco, partiu do atual chefe de Polícia do Rio, Allan Turnowski.

O esquema, segundo o corregedor, consistia em os agentes arquivarem alguns inquéritos, e, em troca, receberam algum benefício financeiro. O corregedor não citou quais prefeituras estariam envolvidas no esquema. De acordo com ele, os órgãos municipais eram abordados pela violação da lei de licitação.

"Essas prefeituras estariam sendo pressionadas a fazer isso ou aquilo", disse o corregedor, sem informar quais as prefeituras envolvidas. 

Segundo Gilson Emiliano, nesta segunda-feira, serão apreendidos computadores, pen drives e registros de ocorrências da delegacia. Em até 30 dias, quando a perícia deve estar concluída, a investigação se encerrará e os culpados serão punidos.

Foi na unidade que começou parte da investigação que resultou na Operação Guilhotina, na qual o delegado Carlos Antônio Luiz Oliveira - ex-braço direito de Turnowski - foi preso.

 

 

Beltrame liberou

O chefe de Polícia Civil, Allan Turnowski informou, na manhã desta segunda, que toda a ação da corregedoria na Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) foi autorizada pelo secretário de Segurança, José Mariano Beltrame. Ontem à noite, Turnowski mandou lacrar a sede da Draco, na Gamboa, para a apuração de supostas denúncias de extorsão.

O diretor da Draco, Claudio Ferraz, vai prestar depoimento à Corregedoria Interna. Ele não foi comunicado sobre a decisão do chefe de Polícia Civil, embora seja um homem de confiança do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame.
A crise na Draco é um desdobramento da Operação Guilhotina, deflagrada pela Polícia Federal e pela Secretaria de Segurança, na última sexta-feira, contra policiais acusados de corrupção, roubo e envolvimento com traficantes.