Chefe de Polícia diz que ação na Draco foi autorizada por Beltrame

RIO - O chefe de Polícia Civil, Allan Turnowski, disse que toda a ação da corregedoria na Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) foi autorizada pelo secretário de Segurança, José Mariano Beltrame. Ontem à noite, Turnowski mandou lacrar a sede da Draco, na Gamboa, para a apuração de supostas denúncias de extorsão.

Segundo essas denúncias, policiais da Draco teriam participado de procedimentos ilícitos e arquivado alguns inquéritos sob o pretexto de receber alguma vantagem econômica. Empresários e prefeituras foram objetos de intervenções desses policiais.

O corregedor interno da Polícia Civil, Gilson Emiliano Soares, já chegou à Delegacia.  - Essas prefeituras estariam sendo pressionadas de forma dissimulada a fazer isso ou aquilo - disse o corregedor. Ele não citou quais prefeituras estariam envolvidas no esquema.

Soares informou ainda que nesta segunda-feira serão apreendidos computadores, pen drives e registros de ocorrências da delegacia. Policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) estão de plantão na porta da Draco, de onde ninguém sai ou entra, para evitar que documentos sejam retirados.

O diretor da Draco, Claudio Ferraz, vai prestar depoimento à Corregedoria Interna. Ele não foi comunicado sobre a decisão do chefe de Polícia Civil, embora seja um homem de confiança do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame.

A crise na Draco é um desdobramento da Operação Guilhotina, deflagrada pela Polícia Federal e pela Secretaria de Segurança, na última sexta-feira, contra policiais acusados de corrupção, roubo e envolvimento com traficantes.

Os agentes saíram às ruas para cumprir 45 mandados de prisão e 48 de busca e apreensão. Desses, 38 já foram cumpridos, entre eles o do ex-subsecretário de Ordem Pública da Prefeitura do Rio, Carlos Oliveira. Neste domingo, o inspetor Giovanni Gaspar Fernandes também se apresentou à PF.

O material apreendido durante a operação também foi apresentado ontem: dois fuzis calibre 5.56, três granadas, duas carabinas, sete pistolas, um revólver, duas lunetas, 12 radiotransmissores, 49 carregadores de pistola e quatro de fuzil, além de cerca de cinco mil munições. Parte dessas munições estava na 22ª DP (Penha). Cerca de R$ 60 mil também foram apreendidos.