Confecções investem no ecologicamente correto

11 de janeiro de 2011 • 21h14A estilista Célia Martins conta a sua novidade acomodada em um puff de pneus de carro reciclados. À sua frente, uma mesa feita de papel de jornal acomoda o material de trabalho de um grupo de quatro empresas. Ao redor, estilistas trocam ideias iluminadas pela luz vinda de dentro de latões de cola. Roupas pendem de um cabideiro feito do esqueleto de uma barraca de praia. Tudo o que sai dali passa pela seguinte filosofia: desperdício zero.

"Era uma coisa que essas empresas já tentavam utilizar em seu meio de produção e que resolvemos adotar em conjunto", conta Célia, que é coordenadora do pólo de confecções de São Gonçalo. Não é só o estande do grupo, desenvolvido pelo designer Edson Nascimento para o Rio-à-Porter, evento que ocorre simultâneo ao Fashion Rio, que é feito de material reciclado. Os produtos que eles utilizam também seguem a ordem do ecologicamente correto.

Os vestidos de estampa natural apresentados por Lila Elias, estilista e proprietária da UZ Rio, uma das empresas que fazem parte do projeto, utilizam fibras naturais como algodão puro, viscose e seda. Segundo Lila, somente esses tecidos aderem os corantes orgânicos produzidos pela confecção. "É um corante que não prejudica o meio ambiente", garante ela. Os vestidos são estampados manualmente, o que os torna únicos, de acordo com a estilista.

Eliane Nunes, que é expositora da Patuí Bolsas e Assessórios, trabalha com pigmentos vegetais extraídos na Índia. Ela conta que o próximo passo é experimentar os corantes produzidos pela UZ em uma parceria. "Trabalhamos para ser mais brasileiros, mais criativos e ter cada vez mais visibilidade e competitividade", afirma Eliane.

Célia conta que o grupo aposta no valor agregado gerado pelo trabalho artesanal e de reaproveitamento. Além de bolsas de praia confeccionadas a partir de calças jeans usadas e forradas com lona de garrafa pet, ela apresenta calcinhas e cuecas feitas de material reaproveitado. "É uma tendência internacional. Todo mundo se preocupa com as mudanças no meio ambiente que atingem a todos. O design também tem que repensar onde pode contribuir. Você pode montar uma casa bacaníssima feita de material que iria para o lixo", afirma. Segundo Célia, além de agregar valor a seus produtos, as empresas do grupo conseguiram reduzir reduzir os custos de produção em até 20%.