Secretaria Estadual de Obras afasta risco de novo desabamento no Morro do Bumba

As fissuras abertas na obra do Morro do Bumba, em Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro, não representam risco de novo desabamento e eram previstas em caso de chuvas fortes, segundo a Secretaria Estadual de Obras. Após denúncia de moradores, o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea) vistoriou hoje (8) o local.

Os moradores e comerciantes que moram em frente ao morro ficaram assustados com as fissuras no barranco e com a quantidade de lama que desceu no último domingo (5), derrubando o muro feito para conter o material. O barro vermelho usado na terraplanagem entupiu boeiros, assoreou um canal feito para escoar a água e invadiu garagens e lojas na parte mais baixa da Rua Viçoso Jardim. Além da lama que ainda está espalhada, as marcas da água ficaram nos muros das casas.

De acordo com o assessor da presidência do Crea, Abílio Borges, mesmo sem avaliar a metodologia da obra, não há nenhum sinal de que a terraplanagem esteja sendo mal feita. Ele explicou que depois da forte chuva, como a de domingo passado (05), as fissuras podem ocorrer. "A chuva foi demais. Essa é uma obra que não é fácil. Eles colocaram uma barreira, mas foi insuficiente, parte [do barro] extravasou e veio parar na rua. Foi um azar.”

Para Borges, um reforço na contenção do barranco, que foi refeito agora de tapume, não mais de tijolo, como o anterior, poderia evitar a repetição do estrago. Mas, de acordo com a Secretaria estadual de Obras, responsável pelo projeto de R$ 35 milhões, não há necessidade, já que o cronograma está na fase final de fixação de gramas e árvores, o que deve conter o barro no morro.

Construído sobre um antigo lixão, o Morro do Bumba desabou depois das fortes chuvas que atingiram a cidade em abril, matando mais de 40 pessoas. Na ocasião, cerca de 180 moradores, incluindo os do Morro do Céu, ficaram desabrigados. No último mês, muitos voltaram para as casas, apesar dos alertas da Defesa Civil de Niterói, por causa dos atrasos no aluguel social.

Cerca de 3,2 mil pessoas desabrigadas, inclusive os cerca de 200 moradores que estão nos abrigos da prefeitura, recebem R$ 400 para auxiliar no aluguel. As parcelas de novembro e dezembro estão bloqueadas na conta da Secretaria Estadual de Fazenda. No entanto, e diante do problema, mesmo temendo novos desabamentos, famílias arriscaram retomar suas casas.

"Pagava um aluguel de R$ 650, fora água e luz. Como o dinheiro [da prefeitura] está atrasado, resolvemos voltar para casa. Meu marido está desempregado e tenho uma filha pequena, tenho que comprar as coisas, não tenho condições", contou a diarista Carla Carvalho, 26 anos, que também cobra da prefeitura a normalização da coleta de lixo no local.

Há sete meses alojados provisoriamente no 3º Batalhão de Infantaria, em São Gonçalo, moradores também cobram a entrega das casas do projeto habitacional no Viçoso Jardim. "Queremos sair daqui mas não temos dinheiro para para construir nada", afirmou um rapaz de 28 anos, que começou a trabalhar em um shopping do bairro há 10 dias e que recebe o aluguel social.

De acordo com a Secretaria Estadual de Obras, as 180 habitações do projeto ficarão prontas em fevereiro de 2011. As unidades, pré-moldadas, serão levadas para o terreno cedido pela prefeitura de Niterói no local nas próximas semanas. A obra está na fase de fundação.