Rio: polícia vai indiciar sargento que teria atirado em jovem

 

O delegado Fernando Veloso, titular da 14ª Delegacia de Polícia Civil, Leblon, afirmou que as quatro testemunhas, além da vítima, reconheceram por unanimidade o sargento do exército Ivanildo Ulisses Gervásio como autor do disparo que atingiu Douglas Igor Marques, 19 anos, após a parada gay de domingo, no Rio de Janeiro. O sargento está preso no Forte de Copacabana e, segundo o delegado, será indiciado por tentativa de homicídio duplamente qualificada. De acordo com Veloso, a pena para o militar pode chegar a 20 anos de reclusão, se obtiver sentença máxima.

Na madrugada do dia 15, Douglas foi baleado após participar da 15ª edição da Parada do Orgulho LGBT, no domingo, na orla de Copacabana, zona sul do Rio. O jovem e a família acusam o sargento Ivanildo pelo disparo, além de agressão e discriminação.

O delegado falou sobre o crime após uma sessão de reconhecimento, realizada no forte de Copacabana, onde dois amigos de Douglas, que estavam com ele no momento do disparo, reconheceram o agressor em uma sala com outros sete militares fardados. O reconhecimento também foi realizado por outras duas testemunhas que não conhecem a vítima e pelo jovem agredido.

Veloso afirmou que colherá o depoimento dos militares envolvidos na sexta-feira. O sargento e o cabo que acompanhavam Gervásio na ação, mas que não teriam participado da agressão que resultou no disparo, também serão ouvidos. O delegado espera concluir o inquérito policial e entregá-lo ao Ministério Público na próxima semana. De acordo com ele, houve cooperação do exército com as investigações. "A identificação do agressor e a sequência da investigação só foi possível por que houve plena colaboração entre as duas instituições (Polícia Civil e Exército)", afirmou Veloso.

O autor do disparo foi descoberto com a ajuda de um exame balístico realizado pelo Exército, que apontou que a arma em posse do militar havia sido utilizada. Segundo a polícia, Ivanildo Ulisses Gervasio e Jonathan Fernandes da Silva, que têm a patente de 3º sargento do Exército, alegaram terem sido "desafiados" pelo estudante.