BID vai emprestar mais de R$500 milhões para urbanização de favelas do Rio

Banco estuda financiar mais R$3 bilhões do "Morar Carioca" e R$1 bilhão para a Transolímpica e Transbrasil

 

Washington - O prefeito Eduardo Paes obteve nesta terça-feira (16/11/2010) a aprovação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) de convênio de R$530 milhões (US$300milhões) para obras de urbanização de favelas dentro do programa “Morar Carioca”, que prevê que todas as comunidades cariocas estejam urbanizadas até 2020. Segundo acordo fechado em reunião na tarde de ontem com a diretoria do Banco, na sede da instituição em Washington, o BID vai financiar 50% dos recursos e a prefeitura do Rio será responsável pela outra metade. O dinheiro, que deverá estar disponível já a partir do início de 2011, vai beneficiar mais de 100 mil moradores de 20 comunidades, que receberão obras de infraestrutura - com a implantação de redes de água e esgoto, drenagem, pavimentação de ruas e iluminação. Também estão previstas melhorias nos serviços públicos e recuperação de moradias. Postos de Orientações Urbanísticas (POUSOS) serão instalados nessas áreas para auxiliar a população e garantir o respeito aos padrões urbanísticos, além de fiscalizar e combater a expansão irregular. As comunidades também ganharão áreas de lazer e programas sociais.

- O sinal verde obtido hoje (ontem) em Washington vai representar uma mudança significativa na vida de milhares de pessoas, que passarão a viver em condições mais dignas. A diretoria do BID ficou muito entusiasmada com a nossa meta ousada de urbanizar todas as favelas da cidade até 2020 e, por isso, propusemos ao Banco uma nova parceria pelos próximos dez anos - afirmou Paes.

O prefeito do Rio apresentou uma proposta para que o BID financie um terço do projeto "Morar Carioca", cujo valor total é de R$9 bilhões e prevê a urbanização de 450 favelas. A ideia é que a cada ano, até 2020, o Banco empreste R$300 milhões, somando R$3 bilhões ao final. José Carlos Miranda e Sérgio Portugal, diretores do BID para projetos no Brasil, disseram que a instituição tem todo interesse em ampliar a parceria nesse projeto de transformação das áreas mais pobres do Rio.

- Em dezembro, enviaremos uma missão técnica à cidade do Rio de Janeiro para conhecer mais detalhes do Morar Carioca. Vamos estudar as possibilidades de novos financiamentos e como podemos participar ainda mais desse programa fantástico - disse Miranda.

Os técnicos do BID, que chegam ao Rio no próximo mês, também vão analisar os projetos da Transolímpica e da Transbrasil - dois corredores expressos de ônibus articulados (BRTs- Bus Rapid Transit) que vão, respectivamente, ligar a Barra da Tijuca a Deodoro e percorrer toda a Avenida Brasil. Eduardo Paes aproveitou a reunião para pedir também R$1 bilhão em financiamento para os dois corredores, que juntos devem custar mais de R$2,5 bilhões. A Transolímpica, que vai integrar duas importantes regiões de competição durante as Olimpíadas, terá 26km, sendo 4km de túneis para cada sentido. Com o corredor, o tempo de viagem será reduzido em mais de uma hora. Atualmente, leva-se 1h50m no trajeto entre a Barra e Deodoro e a previsão é de que, depois de concluídas as obras, o percurso seja feito em apenas 40 minutos. A estimativa é de que 100 mil passageiros serão transportados diariamente nos ônibus articulados.

Já a Transbrasil vai criar um corredor exclusivo de BRT ao longo dos 60km da Avenida Brasil, entre o Caju e Santa Cruz. Além da Transbrasil e da Transolímpica, estão previstos outros dois corredores de BRTs até as Olimpíadas. A Transoeste, orçada em R$800 milhões, já está sendo construída pela prefeitura e vai ligar a Barra a Campo Grande. Já a Transcarioca - que vai ligar o Aeroporto Internacional a Barra da Tijuca, passando pela Penha - teve o financiamento de R$1,4 bilhão aprovado hoje pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

- Hoje (ontem) tivemos duas excelentes notícias em relação aos BRT´s pra cidade do Rio: o BNDES garantiu os recursos para construção da Transcarioca e o BID mostrou muito interesse em financiar a Transolímpica e a Transbrasil. Isso vai significar uma revolução para o Rio de Janeiro e para o carioca, que vai contar com um transporte moderno, rápido e que percorrerá praticamente toda a cidade – comemorou o prefeito.