Pesquisa Escola sem Homofobia chegará ao interior do Rio

       RIO - A pesquisa Escola sem Homofobia será realizada também no Grande Rio e no interior fluminense. A intenção, de acordo com o superintendente de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos, Cláudio Nascimento, é buscar entender como a homofobia se dá nas grandes e pequenas cidades do estado do Rio. Segundo ele, a ampliação da pesquisa será fundamental para que o núcleo, subordinado à Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos, faça um mapeamento da situação na rede de ensino público e proponha ações de conscientização.

Antes de realizar a pesquisa no interior do Rio, ainda sem previsão de início, a Superintendência comandada por Nascimento participará do II Seminário Nacional de Segurança Pública contra a Homofobia, que será realizado em novembro, entre os dias 4 e 7, onde lançará um relatório anual de violência contra o público LGBT, documento composto por dados oficias, ocorrências policias contra homossexuais, no estado fluminense.

- Não será mais um levantamento de ONGs, de grupos gays. Será um relatório baseado no cruzamento de informações da Segurança Pública e de dados do programa Rio Sem Homofobia. O Rio de Janeiro é o primeiro estado do país que no seu Registro de Ocorrência, na área Motivação do Crime, contém o item Homofobia – avisa.

De acordo com Nascimento, o II Seminário Nacional de Segurança Pública contra a Homofobia terá como principal objetivo construir um plano de ação para o enfrentamento da questão da homofobia nas escolas.

- Vamos fazer um seminário governamental, mas chamando a sociedade civil, os familiares, educadores para construir um plano de ação a partir de alguns eixos que são: a formação continuada de professores em diversidade sexual e dos alunos. A pesquisa apontou que mesmo nos lugares com aula sobre sexualidade há ainda apenas uma perspectiva biomédica, fica na questão da reprodução, e aí não fala de preconceito nem de respeito às diferenças – diz, destacando que a ideia é promover ainda a mobilização nas escolas para tratar da diversidade por meio de festivais de cultura, e produzir mais informação por meio de materiais didáticos.

- A pesquisa apontou que os professores se sentem despreparados para tratar de algumas questões relacionadas à violência. Precisamos produzir um conjunto de materiais que sirvam de orientação técnica para professores. Conceitos mais básicos sobre homossexualidade não são conhecidos. Esta pesquisa veio para fortalecer os caminhos das políticas públicas que já estamos desenvolvendo - destaca.

A pesquisa Escola sem Homofobia foi apresentada na manhã e na tarde desta segunda-feira a membros do governo e da sociedade civil. Entre as principais percepções reveladas pelo estudo estão a constatação de que há ainda uma extrema intolerância aos homossexuais e de que uma das estratégias, dentro das escolas, é incentivar jovens LGBTs a serem ‘discretos’ para que não sofram discriminação e violência. De acordo com o superintendente de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos, Cláudio Nascimento, foram levantados quatro aspectos apontados pela pesquisa: os valores de educação machista, a influência das religiões dentro das escolas, o argumento pautado na culpabilidade das próprias vítimas, e o ‘jogo de empurra’ entre professores e familiares quando o tema é o homossexualismo.

- No caso da questão da culpabilidade das próprias vítimas é como se estas provocassem o agressor ao assumir sua sexualidade e, assim, sofressem a violência. Isto é assim em relação à mulher, ao negro, nestes casos também há este tipo de argumento. Além disso, o professor tem receio de tratar o assunto na escola e ‘jogar a bola’ para a família e vice-versa. E, aí, ninguém trata do assunto e fica por isso mesmo – conclui.

A pesquisa Escola sem Homofobia foi desenvolvida pelo Ministério da Educação. A instituição Reprolatina - Soluções Inovadoras em Saúde Sexual e Reprodutiva foi responsável pela execução do projeto, que contou com o patrocínio da Pathfinder do Brasil, ECOS e ABGLT. No Estado do Rio de Janeiro contou com o apoio do governo estadual.

O estudo realizou entrevistas com 138 pessoas, incluindo diretores de escolas, funcionários da rede pública e alunos do 6° ao 9° ano do Ensino Fundamental. Na tarde desta segunda-feira foi realizada a apresentação dos resultados do estado à sociedade civil, no Centro de Formação Adauto Belarmino, no 7º andar da Secretaria de Segurança Pública, na Central do Brasil.  O estudo qualitativo ocorreu em 11 capitais brasileiras, nas regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Sul do Brasil.

Informações do governo do Estado do Rio