Cirurgiões cardiovasculares podem parar de trabalhar em 90 dias no SUS

JB Online

RIO DE JANEIRO - Um movimento liderado por cirurgiões cardiovasculares que operam em hospitais particulares e filantrópicos do Estado do Rio de Janeiro conveniados ao SUS vem lutando por remuneração digna na área. Hoje, com o valor total aproximado de mil reais que são pagos às equipes, um cirurgião cardiovascular chega a receber apenas R$ 100,00 (cem reais) por procedimento. Insatisfeita com os baixos honorários e tentando sem sucesso um acordo com o governo do Estado do Rio de Janeiro , a classe decidiu rescindir o contrato com esses hospitais em 90 dias, a partir do dia 28 de julho, caso não haja acordo.

À frente da requisição está a Cooperativa dos Cirurgiões Cardiovasculares do Rio de Janeiro (Cardiocoop RJ), formada em 2008 e, atualmente, com cem membros cadastrados. Sem reajustes há mais de 10 anos, esses médicos altamente especializados encaram diariamente procedimentos de alta complexidade, cuja duração chega a levar, em média, de quatro a seis horas. Pelo serviço, recebem cerca de R$ 1.000,00 (mil reais), valor este dividido por uma equipe de pelo menos seis profissionais indispensáveis à realização de cirurgias desse tipo cirurgião chefe, três cirurgiões assistentes, um instrumentador e um perfusionista.

Esse valor é ínfimo frente a todo o investimento em capacitação que o médico precisa ter até alcançar a experiência necessária que o habilita a realizar uma cirurgia cardíaca.

Para tornar-se cirurgião cardiovascular, são necessários minimamente seis anos de faculdade, dois anos de residência e mais quatro anos de especialização. Oferecer essa remuneração é no mínimo um desrespeito não somente às equipes, mas também ao paciente, que merece tratamento de qualidade , defende o diretor-presidente da Cardiocoop RJ, Dr. Ronald Peixoto, enfatizando que a entidade entrou nessa luta não só para buscar melhor remuneração para cirurgiões, mas também para assegurar uma melhor condição de trabalho a anestesistas e hospitais, que estão totalmente desprovidos de materiais e infraestrutura básica.

O diretor-presidente conta que nos estados de Goiás, Espírito Santo e Bahia os movimentos promovidos pelos cirurgiões cardiovasculares em busca de melhor remuneração foram bem sucedidos e eles já conseguiram aumento de honorários. No Rio de Janeiro e em São Paulo a situação ainda está precária e, mesmo após inúmeras tentativas de negociação, não fomos ouvidos , comenta o Dr. Peixoto.

Uma cirurgia cardíaca custa ao SUS cerca de R$ 9.500,00 (nove mil e quinhentos reais). Por cada cirurgia cardiovascular, o governo federal repassa aos hospitais fluminenses do sistema privado conveniados ao SUS um valor fixo, que deveria ser, mas não é complementado pelo estado.

Diante de todos esses fatos, é imprescindível que o governo do Estado do Rio de Janeiro atente para a questão, antes que o problema atinja ainda mais a população, que pode deixar de ter o serviço nesta rede de hospitais por falta de retorno do governo , alerta o Dr. Peixoto, lembrando que a Cardiocoop RJ não está sozinha nesta luta e conta com o apoio da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, da Associação Médica Brasileira, do CREMERJ, da Associação dos Cirurgiões Cardiovasculares do Estado do Rio de Janeiro e do Sindicato dos Médicos.

(Informações da Assessoria de Imprensa)