José Luiz de Pinho, Jornal do Brasil
RIO DE JANEIRO - Até dezembro deste ano, o estado do Rio de Janeiro vai ultrapassar a barreira de R$ 1 bilhão de investimentos em pesquisa. Um avião não tripulado para monitoramento, a primeira arma elétrica não letal de fabricação nacional, um trem de levitação magnética, uma central móvel de vigilância eletrônica, biodiesel feito com resíduo de óleo de fritura.
Além disso, um kit para detectar tumores mamários, um robô que limpa tubulação de ar condicionado e iogurte orgânico de soja. São invenções realizadas pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).
Os recursos vêm do decreto assinado pelo governo do estado em junho de 2007, repassando 2% da receita tributária líquida do executivo para a Faperj, que é vinculada à Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia.
São projetos que variam de custo entre R$ 10 mil e R$ 2,5 milhões informa Ruy Garcia Marques, diretor-presidente da Faperj. Em 2007, nosso orçamento era de R$ 200 milhões; em 2008 aumentou para R$ 290 milhões, fora R$ 200 milhões de convênios. Isso aumentou a capacidade de fomento da Faperj em pesquisa, tecnologia e inovação.
Novidades para a segurança
As inovações vão desde o desenvolvimento de novas viaturas policiais ao trem de levitação magnética. Um projeto de destaque é o Veículo Aéreo Não Tripulado(Vant), desenvolvido no Instituto Militar de Engenharia (IME), que dá ao Rio uma aeronave de baixo custo e com tecnologia nacional.
O Vant será aliado da segurança pública. Inaudível a 200 metros de altura, a aeronave desaparece no céu a partir de 500 metros. Com o controle a distância na estação de comando em terra, técnicos determinam as trajetórias da aeronave.
Outra invenção na segurança é a Viatura Blindada Tática Leve. O Centro Tecnológico do Exército idealizou um veículo que facilitasse os policiais. Resistente a tiros de fuzil, é refrigerado e permite o deslocamento de detidos, transportando cinco policiais e seis presos.
Ainda na área de segurança, a empresa Tecnologia em Sistemas de Comando e Controle Ltda, com R$ 400 mil da Faperj, desenvolveu o Centro Integrado de Monitoramento e Coordenação Móvel: uma central de comando com câmeras e antenas para garantir a segurança em áreas de grande circulação de pessoas.
Tuberculose, dengue e malária são novos alvos
Além das inovações nas áreas científica e tecnológica, a Faperj desenvolve um projeto para erradicar a dengue, a malária e a tuberculose. Segundo o diretor científico do órgão, Jerson Lima Silva, o órgão já desenvolve estudos nesse sentido.
Temos um leque de projetos anunciou Jerson, que também é professor de bioquímica médica e pesquisador da UFRJ. O Rio já detém 20% da produção científica do Brasil, porque os governantes viram que era necessário investir em pesquisa.
O estado financia a primeira arma elétrica não letal nacional. A tecnologia, utilizada por forças de paz da ONU, permite que um infrator seja imobilizado com um choque.
Há, ainda, o Robô-In que inspeciona, limpa e higieniza dutos de ar condicionado com rapidez e eficiência. Nos transportes, pesquisadores da Coppe/UFRJ tiveram projeto de R$ 4,7 milhões aprovado pela Faperj para desenvolver, no Rio, o primeiro trem de levitação magnética do país: o MagLev-Cobra.
Já na Saúde, há o kit para detectar tumores mamários, que localizam inflamações e tumores malignos à base de medicina nuclear. Em fontes renováveis, o Rio é pioneiro nas pesquisas com o biodiesel sobre o combustível verde , a partir de óleos de fritura residuais de cozinhas e caixas de esgoto.