Crimes cibernéticos movimentam mais dinheiro que o tráfico, diz PF

Felipe Sáles, Jornal do Brasil

RIO - Os crimes cibernéticos já movimentam mais dinheiro do que o tráfico de drogas, revela o chefe de Perícia da Informação da Polícia Federal, Paulo Quintiliano, durante apresentação da V Conferência Internacional de Perícias em Crimes Cibernéticos (ICCy

ber), que acontecerá pela primeira vez no Rio entre 24 e 26 de se

tembro.

A falta de uma legislação

específica em países da Ásia e Austrália, conhecidos como paraísos

cibernéticos, são citados como

principais empecilhos na investigação dos crimes cibernéticos, transformados em pontos de partida para controlar negócios ilícitos no mundo real.

Segundo Quintiliano, o Brasil possui os equipamentos mais

avançados do mundo para apurar

crimes de informática. O país conta hoje com 140 peritos da informação, oito deles no Rio, cada um com um kit tecnológico de última geração adquirido no ano passado.

Os equipamentos são capazes de clonar HDs, pen-drives e rastrear as últimas ações realizadas num celular apreendido. De acordo com Quintiliano, a última pesquisa feita pelo Banco Mundial, em 2004, apontava os crimes de informática mais rentáveis até do que o tráfico de drogas.

Temos informações de quadrilhas de ladrões de banco que

hoje migraram para os crimes de

informática. Afinal, rende mais, é

mais rápido e não envolve quase

nenhum risco afirma.

Crimes virtuais

O diretor da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais, Luís Carlos de Almeida Serpa, destaca ainda que os crimes de informática não estão dissociados

dos crimes comuns. Quando o

contraventor Rogério Andrade foi

preso, por exemplo, com ele foi

apreendido um pen-drive que tra

zia todas as informações de no

mes e endereços necessários à

investigação.

Em janeiro, o traficante Saulo de Sá Silva, o Saulo da Rocinha,32 anos, chefe do tráfico de drogas do morro da Zona Sul, comandava a quadrilha através do MSN enquanto se escondia numa casa de

frente para o mar na Praia de São

Bento, no município de Maragogi,

em Alagoas. O traficante colombiano Juan Carlos Abadía, preso pela PF em agosto do ano passado, também usava a internet para controlar os negócios, só que de modo mais requintado. través do e-mail de sua mulher, ele escrevia mensagens camufladas em

figuras do desenho da Hello Kitty.

A falta de uma legislação específica, porém, acaba dificultando as investigações e os criminosos se aproveitam disso. Um golpista dos Estados Unidos, por exemplo, pode fazer uma vítima na América do Sul a partir de um site falso sediado na Austrália que envia dados roubados para a Ásia. Para rastrear tudo isso, os policiais dependem da cooperação internacional. Porém, cartas rogatórias emitidas pelo Judiciário

brasileiro às autoridades interna

cionais costumam demorar em torno de dois anos.

Sequer crimes como pedofilia encontram amparo na legislação e são julgados com base no Estatuto da Criança e do Adolescente. Além disso, medidas simples, como exigência do cadastro de usuários em Cyber Cafés, só são obrigatórias em São Paulo e no Mato Grosso. O V ICCyber terá como objetivo discutir essas questões e ampliar o apoio internacional, segundo o diretor técnico-científico da PF, Paulo Rober

to Fagundes.

É um dos maiores congressos do mundo que contará com a presença de agentes do serviço

secreto de diversos países conta

Fagundes Esperamos assim es

tender a cooperação internacio

nal e padronizar procedimentos.

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