Isabela Vieira, Agência Brasil
RIO - Uma passeata reuniu cerca de cinco mil pessoas e marcou a abertura do Fórum Mundial de Educação, que começou nesta quinta-feira, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e termina no próximo domingo. Os manifestantes pedem a valorização da diversidade cultural nas escolas e defendem a arte como forma de educação. Eles também pedem o fim da violência nas escolas.
Os integrantes do afoxé Maxambomba - que representaram a cultura africana - participaram da passeata vestidos com abadás e ornamentos típicos. Eles cantavam músicas de religiões de matriz africana e dançavam.
- Temos que saber de onde vieram nossas raízes. Na língua portuguesa, por exemplo, temos a influência de palavras do idioma banto, como a palavra mulata, bunda e também instrumentos musicais como o agogô - disse Arelene Katendê, à frente do grupo.
Nesta sexta-feira, o afoxé participará de debates sobre a lei que obriga o ensino da cultura afro-brasileira nas escolas e sobre as dificuldades na aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, que tramita há mais de dois anos no Congresso Nacional.
Para mostrar como a cultura pode ajudar na educação, um grupo que faz manobras circenses e coreografias de dança viajou de Limeira, em São Paulo, a Nova Iguaçu. A coordenadora Daniella Zacariotta conta que um dos objetivos do projeto é estimular a participação dos adolescentes na comunidade por meio da arte.
De acordo com a organização do Fórum, assim como o grupo de Limeira, 120 pontos de cultura vão mostrar experiências que também promovam a educação. Financiados pelo Ministério da Cultura, os pontos têm a meta de articular e impulsionar ações que já existem nas comunidades.
Ainda na passeata de abertura do evento, os manifestantes protestaram contra a violência nas escolas. Estudantes vestiram capuzes pretos e entregaram ao público rosas vermelhas. A idéia era propor uma reflexão sobre a questão da violência, o que inclui rever o estereótipo da cidade .
- Sabemos dos problemas com a violência em Nova Iguaçu, mas queremos discutir o assunto e resolvê-lo. Mostrar que temos outras coisas mais importantes na cidade, como os moradores - disse o coordenador Rômulo Sales ao lembrar a chacina que terminou com a morte de 29 pessoas, em 2005.
Essa é a segunda vez que o Fórum de Educação é realizado na cidade. De acordo com a coordenadora do evento, Maria Antonia Goullart, o aumento da participação de outros municípios da Baixada, a prática de educação ambiental e a presença de jovens irão marcar essa edição.
- Percebemos que a discussão sobre as formas de aproximação entre a escola e outros atores sociais, outros espaços sociais, outras oportunidades educativas é o que deve dar o tom nesse fórum - defendeu.