Cesar Maia acusa ministério de omissão 'criminosa' por dengue

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RIO DE JANEIRO - O prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia, se eximiu nesta quarta-feira da responsabilidade pelas 31 mortes por dengue ocorridas na cidade neste ano e culpou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, por não ter alertado o município sobre a incidência da doença em outras localidades no ano passado.

De acordo com o prefeito, houve em 2007 em outros Estados e municípios do país vários casos de crianças que morreram vítimas de dengue hemorrágica, mas a proliferação desse tipo de casos não foi comunicada ao Rio de Janeiro.

- O Ministério da Saúde não fez uma orientação sobre o caso de óbitos de criança quando soube, e criminosamente omitiu. Houve omissão nessa matéria. Só poderíamos ter agido sob orientação do ministério - disse o prefeito a jornalistas, em sua primeira entrevista sobre o surto de dengue na cidade.

Em seu ex-blog, citando dados do ministério, Maia afirmou também nesta quarta que 158 pessoas morreram de dengue em todo o país em 2007, sendo 61 crianças.

- O Ministério da Saúde ter sabido que Maranhão e Piauí e outros Estados e municípios do Brasil viveram dengue hemorrágica com óbitos de crianças no ano de 2007, e não ter alertado e orientado o Rio... é uma omissão - acrescentou a jornalistas.

Até o momento neste ano, mais de 32 mil casos de dengue foram confirmados no Estado do Rio de Janeiro, com 49 óbitos (24 crianças), enquanto em 2007 houve 31 mortes. A capital é a cidade com maior número de mortes, com 31, e já acumula 26.688 casos no primeiro trimestre, ante 25.107 em todo o ano passado.

Em visita ao Rio no início da semana para anunciar medidas de emergência contra a dengue, incluindo a confirmação da ajuda das Forças Armadas, o ministro Temporão atacou a situação da saúde no município, mas disse em seguida que não era o momento de 'polemizar, é hora de soluções'.

Nesta quarta-feira, Temporão voltou a falar sobre a participação das Forças Armadas no controle da doença no Rio de Janeiro, possivelmente com a instalação de tendas de campanha para atendimento primário. De acordo com o Ministério da Saúde, os detalhes da participação serão acertados na quinta-feira, em reunião no Rio.

- Assim que for definido ... as equipes serão enviadas para começar o trabalhar - disse Temporão em Brasília.

Apesar dos esforços, Cesar Maia afirmou que a cidade não vive uma epidemia da doença neste momento. Ele afirmou que houve uma epidemia em algumas regiões do município nos meses de janeiro e fevereiro, mas que os casos estão diminuindo.

- A minha curva de amostragem é decrescente. Os casos de agora são reflexo do que já aconteceu - disse ele.

O prefeito destacou ainda que a cidade pode estar recebendo visitantes de outras áreas do país que estariam trazendo a forma mais mortal da doença para o Rio de Janeiro.

- A dengue existe há mais de 100 anos, e o Brasil conviverá com a doença até que você tenha uma situação urbana de assepsia total, ou se o Brasil se tornar um país de clima temperado. A questão nova, grave e importante, é o número de óbitos infantis - disse o prefeito.