Papa-defuntos reclamam de transferência

JB Online

ANGELICA PAULO E JAIME GONÇALVES FILHO - Se os moradores das proximidades da Rua Inválidos mal podem esperar pela transferência da sede do Instituto Médico Legal do Centro do Rio para o bairro de São Cristóvão, na Zona Norte, os donos das funerárias vizinhas ao antigo prédio da Rua Mem de Sá estão perdendo o sono. A apreensão se justifica por conta da Lei 1571/2003, de autoria do então vereador Jorge Babu, que proíbe a instalação de empresas com esta atividade a uma distância de até duzentos metros dos hospitais de urgência e do Instituto Médico Legal, no município.

O agente funerário Washington Santos, de 29 anos, informa que 40% de seus clientes o procuram logo depois de saírem do IML. Ele acha que o movimento deve cair.

Para quem está aqui no entorno vai ser ruim, não só para as funerárias, mas para todo o comércio diz Santos. Mas nós não poderemos nos transferir para lá.

Em São Cristóvão a inauguração também tem provocado polêmica na vizinhança. Por um lado, os comerciantes acreditam em um aumento no faturamento. Por outro, os moradores estão preocupados com o mau cheiro e outros transtornos no bairro imperial.

O comerciante Edmar Carvalho mudou-se há apenas três meses para Rua Melo e Souza, nos fundos do novo IML, mas já pensa em deixar o local.

Não vou conviver com cheiro de morto com duas crianças em casa. Se começar a feder, como estão dizendo, vou procurar outro lugar.

O jornaleiro Orlando Lopes, porém, diz estar ansioso com o possível aumento de clientes com a chegada do novo vizinho a São Cristóvão:

Aumentará o número de pessoas para almoçar e gastar mais por aqui.