Vigia que serrou empresária diz que 'surtou' no momento do crime

Agência JB

RIO - Começou nesta terça-feira, por volta das 13h30, no 3º Tribunal do Júri, o julgamento do vigia Juarez José de Souza, acusado de matar e serrar a empresária Edna Tosta Gadelha Souza, no dia 28 de agosto de 2006, numa clínica veterinária, em Botafogo, Zona Sul do Rio. O motivo, segundo o MP, teria sido vingança por causa de discussão devido a uma vaga de garagem. Quem está presidindo o júri popular é o juiz Sidney Rosa da Silva. O corpo de jurados é composto por sete mulheres. O julgamento pode terminar ainda nesta terça-feira.

Duranteo interrogatório, o acusado disse que trabalhava na clínica veterinária há cerca de dois anos e afirmou serem verdadeiros os fatos narrados na denúncia. Ele confessou o crime e disse que na hora surtou , só se lembrando dos fatos depois. Afirmou também que o teria feito porque se sentia ameaçado pela vítima, após discussão com ela que o havia chamado de magrinho . O réu, porém, falou que não colocou o corpo de Edna em seis sacos, e, sim, em dois e depois os distribuiu em duas lixeiras. Um catador de lixo teria encontrado, no início da noite, as pernas da empresária, sua bolsa e documentos, na altura do número 667 da Rua Sorocaba, e a parte superior do corpo na Rua São Clemente, próximo ao 2º BPM (Botafogo).

Juarez comentou ainda que ficou temeroso quando Edna tocou a campainha da clínica veterinária. Ele a reconheceu como a mulher da discussão e afirmou que não sabia se ela teria ido até lá para lhe pedir desculpas ou se estava armada. Num dado momento, pegou um pedaço de mármore e o bateu na cabeça dela, fazendo-a desmaiar. Depois, levou a vítima para um outro cômodo e lhe cortou a garganta, esquartejando seu corpo com um serrote.

Em seguida, o juiz fez a leitura do processo e foram ouvidas duas testemunhas: a filha da vítima, Roberta Tosta Gadelha Souza, e o marido, Marco Aurélio GadelhaSouza. A primeira disse que no dia do crime, havia combinado com a mãe que ela a levaria até o aeroporto, já que viajaria para Buenos Aires. Achou muito estranho não estar conseguindo falar com Edna e o telefone dela estar fora da área de cobertura o tempo todo. Insistiu inúmeras vezes, chegando, inclusive, a ir até a casa de festas de propriedade da vítima, também em Botafogo. Ligou também para o pai, que tentou localizar Edna, pedindo, inclusive, que um funcionário do estabelecimento fosse até a clínica veterinária saber se a mãe havia passado por lá, já que estava pensando em alugar o local para a filha trabalhar como dentista.

A filha disse que seguiu, então, muito preocupada para o aeroporto internacional para não perder o vôo. Ela disse, no entanto, que ficou ligando sem parar para outras pessoas conhecidas a fim de localizar a vítima, não imaginando que o pior pudesse ter acontecido com Edna. Ficou sabendo da morte da mãe em Buenos Aires, no hotel onde estava hospedada, pelo pai de seu namorado.

Foiouvido também o marido de Edna, Marco Aurélio Gadelha Souza, que contou ter ido à casa de festas procurar por ela, depois ao Instituto Médico Legal e hospitais. Ligou também para a Divisão Anti-Seqüestro por achar que a mulher havia sido seqüestrada. Um policial ligou depois para ele, dizendo que tinha acontecido algo horrível e pedindo que fosse até Botafogo, quando ficou sabendo do crime. Lá viu a bolsa da mulher e os pés, os reconhecendo.

Após a inquirição das testemunhas, começaram os debates. O representante do Ministério Público, o promotor de Justiça Marcelo Monteiro, está falando no momento. Após, será a vez da defesa do réu, que está sendo feita pela defensora pública Enedir Santos.

Juarez está incurso no artigo 121, parágrafo 2º (homicídio qualificado), incisos I, III e IV (por motivo torpe, meio cruel e que tornou impossível a defesa da vítima) e artigo 211 (ocultação de cadáver), c/artigo 69 (dois ou mais crimes), todos do Código Penal. Ele pode pegar, pelo homicídio, pena de 12 a 30 anos e pela ocultação, de um a três. Ele falou ao juiz que responde também pelo crime de roubo em cinco processos e foi condenado em outros dois.