Portal Terra
RIO - - Sou inocente.
Foi o que se limitou a dizer o vereador Josinaldo Francisco da Cruz, o Nadinho (Democratas), antes de entrar no camburão da Coordenadoria de Operações Especiais da Polícia Civil que o levou à carceragem da Polinter, em Campo Grande, no Rio, onde ficará preso pela acusação de participar do assassinato do policial Félix Tostes, em fevereiro, no Recreio.
Nadinho se apresentou no final da tarde de ontem ao juiz Sidnei Rosa, do 4º Tribunal do Júri, na sede do Tribunal de Justiça, no centro. O juiz, depois de ouvir suas alegações, recusou-se a revogar o mandado de prisão em vigor desde a última quinta-feira. Do fórum, onde chegou vestindo um terno verde-água e com um broche de vereador na lapela, Nadinho foi levado à Delegacia de Repressão a Ações Criminosas (Draco), na Zona Portuária, onde ficou por cerca de uma hora para um levantamento de sua ficha criminal.
Ex-presidente da Associação de Moradores da favela Rio das Pedras, em Jacarepaguá, Nadinho foi eleito com votação expressiva da comunidade. De acordo com policiais que investigaram o crime, Félix Tostes seria um dos líderes da milícia na favela e teria sido morto após um desentendimento com Nadinho. O motivo seria sua intenção de se candidatar a vereador em 2008, o que dividiria os votos e prejudicaria a reeleição do político do Democratas.
Os policiais civis Raphael Moreira Dias - foragido - e André Luiz Malvar - preso por outros dois assassinatos - também, estão com mandados de prisão expedidos. Malvar é casado com a filha do vereador Jerônimo Guimarães Filho (PMDB), eleito com votos da mesma Zona Oeste. Outros três ex-policiais militares são acusados de participação no crime e estão presos.
Félix Tostes, segundo a polícia chegou a chefiar a milícia de Rio das Pedras, a mais antiga em ação no Rio - há pelo menos 20 anos a favela não tem tráfico de drogas. Os milicianos, porém, cobram taxas de moradores e comerciantes para dar-lhes segurança, e movimentar o comércio de gás, TV a cabo, transporte alternativo e tudo mais que puderem controlar. A renda com as mais de 12 mil residências e pontos comerciais chegaria a R$ 1 milhão por mês. O suficiente para bancar uma campanha à Câmara de Vereadores. Mas não duas.