Julgamento de acusado da morte de franceses deve terminar hoje

Agência JB

RIO - Começou na tarde desta terça-feira, no 3º Tribunal do Júri do Rio, o julgamento dos acusados de terem assassinado os franceses ligados à Organização Não-Governamental Terr'Ativa, em fevereiro deste ano, em Copacabana, Zona Sul da cidade. O processo, porém, foi desmembrado e somente está sendo julgado o réu Társio Wilson Ramirez, ex-funcionário da ONG - que desenvolvia projetos com menores carentes no Rio - e provável mentor do crime. Os outros dois, Luiz Gonzaga Gonçalves de Oliveira e José Michel Gonçalves Cardoso, irão a júri popular no dia 13 de dezembro. No momento, está na fase de debates e a expectativa é de que o julgamento termine no fim da noite.

Em depoimento, Társio Wilson Ramirez disse que não eram verdadeiros os fatos narrados na denúncia, pois ele não tinha matado ninguém e nem dado desfalque na ONG . Ele comentou, no entanto, ter percebido que estava havendo desvio de dinheiro na instituição e que soube do fato por meio de uma discussão entre Delphine Claudie Douyère e Ana Carolina de Neves de Castro Rocha, presidente da ONG. Perguntado pelo juiz o que foi então fazer na sede da mesma, no dia 27 de fevereiro, o acusado disse ter ido pegar uns documentos e dinheiro no cofre, já que estava sendo pressionado por membros da ONG para que assumisse o desfalque e também por estar com o salário atrasado.

Társio Wilson Ramirez era coordenador de projetos sociais da ONG e às terças e quintas-feiras auxiliava na administração, inclusive, na parte contábil. Ele comentou que ficou surpreso e assustado com a atitude dos outros dois comparsas, tendo, inclusive, ficado escondido debaixo de uma mesa e depois dentro do banheiro, na ocasião dos crimes, que teriam sido cometidos inicialmente por Luiz Gonzaga.

O acusado falou ainda que ajudou na criação da ONG em 1998, mas que trabalhou em outros locais, só voltando em 2003. Esta versão foi desmentida, no entanto, pela presidente Ana Carolina, que disse que o acusado estava há cercab de dez anos na instituição, com cursos pagos, inclusive, pela ONG, sendo uma espécie de homem de confiança dos franceses. Quanto aos crimes, falou que não viu Jérôme Marie ser amarrado e nem José Michel sair da ONG. E que foi Luiz Gonzaga quem jogou álcool no apartamento, a fim de incendiá-lo, só não o fazendo porque não encontrou nada para a combustão.

Outra testemunha que não acreditou na versão do acusado de que eles queriam apenas dar um susto nos franceses foi o delegado Marcus Castro Nunes Maia. Em depoimento, ele confirmou ainda que, ao chegar ao local do crime, encontrou no apartamento a carteira de identidade de Luiz Gonzaga, que foi preso no Hospital Souza Aguiar, no Centro do Rio, porque teria ido até lá por causa de um ferimento na mão. Társio já havia sido detido no prédio onde aconteceram os fatos e José Michel depois em outro local.

Segundo a denúncia, os franceses Christian Pierre Doupes, de 38 anos, sua mulher, Delphine Claudie Douyère, 36, e Jérôme Marie Marc Faure, 42, foram mortos a facadas por terem descoberto um desvio nas contas da instituição. O principal suspeito seria o funcionário Társio Wilson, de 25 anos, que teria planejado o crime e depois contratado Luiz Gonzaga e José Michel Gonçalves para se livrar dos franceses. As vítimas foram mortas na sede da ONG, na Rua Ronald de Carvalho, 55. No dia do crime, foi roubado um cofre contendo bens e valores diversos. Os réus tentaram também incendiar o apartamento, a fim de ocultar a prática criminosa.

Os acusados estão sendo julgados por homicídio triplamente qualificado, por furto qualificado e por causar incêndio em edifício público ou destinado à obra de assistência social ou de cultura. Estão enquadrados também na Lei 8.072/90 (Crimes Hediondos). A defesa de Társio está sendo feita pela defensora pública Enedir Santos.

O processo foi desmembrado porque as defesas dos réus não concordaram com os mesmos jurados, e sendo assim, não podem eles serem submetidos ao julgamento pelo mesmo conselho de sentença, já que a escolha do jurado é um direito de defesa. A acusação está sendo feita pelo promotor público Marcos Kac e a presidência do júri, pelo juiz Sidney Rosa da Silva.