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Carioca condenado à morte na Indonésia passa aniversário longe da mãe

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Gabriela Lapagesse, Agência JB

RIO - Já são quatro anos de sofrimento e angústia para a funcionária pública Carolina Archer, de 68 anos, que mais uma vez não vai poder dar o tão esperado abraço de feliz aniversário no filho, no próximo dia 1º. É que Marcos Archer, de 44 anos, condenado à morte na Indonésia por ter sido flagrado tentando entrar no país com 13 quilos de cocaína escondida na estrutura de sua asa-delta, permanece em 22º lugar na fila de execuções.

O carioca, estudante de bons colégios, típico garoto Zona Sul, precisava do dinheiro prometido por um australiano que ele conheceu em Bali, por causa de uma dívida de US$ 60 mil que tinha, por conta de uma internação em um hospital, decorrente de uma queda de parapente. Pressionado por advogados do hospital, o brasileiro estava ameaçado de não poder mais pisar no país. Por isso, o instrutor de asa-delta, que vivia havia dez anos na Indonésia, enfrentava o drama de economizar os US$ 400 que ganhava por dia para voar com turistas. Mas a tentação falou mais alto.

Todos os recursos foram negados pela Indonésia até o momento, inclusive o primeiro pedido de clemência, feito pelo presidente Lula, em julho de 2004. O segundo pedido será feito no início de 2008 e, de acordo com as leis daquele país, o brasileiro não poderá ser executado através de fuzilamento, como manda a legislação asiática, enquanto não for feito e julgado o segundo pedido.

- Estou muito triste, muito abalada. É horrível não ter notícias do meu Marcos assim se caracteriza Carolina Archer, ao lembrar que o filho e outros 200 presos foram transferidos para um presídio na Ilha de Java, em junho deste ano, sem qualquer comunicação externa, dificultando, inclusive, o acesso dos representantes do Itamaraty, no consulado brasileiro, aos presos.

Em entrevista ao JB Online, Carolina desabafa.

A senhora acredita que, apesar de estar prevista na legislação da Indonésia, esta pena que o Marcos está cumprindo seja justa?

- Acho que meu filho tem, sim, que pagar pelo que fez. Isso eu não contesto. Mas ele transportou cocaína. Que ele ficasse alguns anos preso seria, sim, horrível, mas pena de morte?! É muito sofrimento para uma mãe, só consigo ver meu filho uma vez por ano, não tenho condições de ir sempre pra lá, por causa de trabalho e de dinheiro mesmo.

O seu filho, mesmo agora em um presídio mais rígido, ainda consegue manter alguma comunicação com a senhora?

- A nossa comunicação, desde que ele foi transferido para este presídio em Java, tem sido nula. Apenas recebi uma carta dele há uma semana, só porque a mãe de um outro preso esteve lá e a enviou para mim. Nela, meu filho conta que o lugar lá é lindo, que nem parece um presídio, disse que vou gostar de lá, mas conheço meu filho. Sei que ele está depressivo, triste, magro e não é pra menos. Ele não consegue sequer ter notícias sobre a própria situação, mesmo com o esforço do Itamaraty, que sempre foi muito presente.

Depois de tantos pedidos negados e quatro longos anos de espera e angústia, é possível ainda ter esperanças?

- É o que me resta. Amo meu filho e toda essa história me dói demais. No início do ano que vem, o presidente Lula fará o segundo pedido de clemência. Me agarro na minha esperança, para que este, sim, seja aceito. Ele já está pagando pelo erro. Daqui a pouco, por exemplo, no dia 1º, ele vai fazer 45 anos. É mais um aniversário sem ele, tantos Dias das Mães sem ele...Dói, dói mesmo. Mas em dezembro vou para lá, vou matar as saudades e espero que no ano que vem, as notícias sejam melhores, mais ainda: espero que a gente consiga essa vitória, que a gente consiga salvar o Marcos.