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Caveirão deixa 13 corpos do Alemão em hospitais da Zona Norte

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Jaime Gonçalves Filho, Marcello Gazzaneo e Marcello Victor, Agência JB

RIO - Pelo menos 13 corpos foram deixados pelos veículos blindados da Polícia Militar, os chamados "Caveirões", nos hospitais Geral de Bonsucesso (HGB) e no Getúlio Vargas (HGV), na Zona Norte do Rio. Eles foram trazidos das favelas que compões o Complexo do Alemão. Os números foram confirmados pelas secretarias municipal e estadual de Saúde. Mais mortos devem ser levados para essas unidades.

O secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, informou que entre 18 e 20 pessoas morreram durantre os confrontos registrados, desde a manhã desta quarta-feira, na megaoperação desencadeada por policiais da Força Nacional de Segurança (FNS) e das polícias militar e civil. A declaração foi dada, agora a pouco, em entrevista coletiva, na sede da secretaria. Até o momento, oito pessoas foram feridas à bala, sendo seis por balas perdidas. Um policial e um suposto traficante também foram feridos.

Ainda segundo Beltrame, o número de mortos pode ser maior. AS operações se concentraram nas localidades conhecidas como Areal, Chuveirinho e Matinha, onde, segundo levantamento da polícia, eram utilizados como refúgio dos traficantes em todas as incurssões da polícia. O secretário de Segurança informou que foram necessárias cinco horas para que os agentes chegassem a esses locais.

Uma mulher ainda não identificada, deu entrada no Hospital Getúlio Vargas (HGV), na Penha, no fim da tarde desta quarta-feira, com sinais de espancamento. Ela teria sido agredida violentamente por traficantes do Complexo do Alemão. A vítima chegou muito agitada a unidade e com ferimentos contundentes no rosto, braços e nas costas.

Edvan Mariano de Souza, de 33 anos, deu entrada no Hospital Geral de Bonsucesso (HGB), na Zona Norte, ferido por um tiro de raspão na cabeça, próximo a escola Sodré, na região do Complexo do Alemão. O jovem Carlos Henrique Matias Vitoriano, de 13 anos, foi ferido por bala perdida, na Rua Canitá, um dos principais acessos a Favela da Grota, também no Alemão. O tiro transfixiou a coxa esquerda. Ele já foi medicado e liberado.

Ivo Urbano da Silva, de 17 anos, teria sido ferido em confronto com os policiais, no Morro da Fazendinha. Atingido no braço esquerdo, ele foi medicado no Hospital Getúlio Vargas (HGV), na Penha, liberado e depois detido e levado para a 22ª DP (Penha). Wesley Glauco Vicente da Silva, também de 17 anos, foi vítima de bala perdida e ferido no tórax, na mesma favela. O adolescente está passando por uma drenagem.

Larissa Andrade Silva, de 13 anos, foi a terceira vítima de bala perdida nos confrontos armados que vem sendo travados entre traficantes de drogas e policiais. A jovem foi baleada dentro da escola Heitor Leira, na Favela da Grota, uma das que compõem o complexo de favelas do Alemão. Ferida na perna esquerda, a vítima foi colocada em um táxi e levada para o HGV. A Secretaria Estadual de Saúde (SES), ela teria que ficar em observação nas próximas 48 horas.

Duas informações ainda não foram confirmadas. A primeira de que sete traficantes teriam sido mortos nos confrontos, segundo a Polícia Civil. Os corpos estariam no alto do Morro da Fazendinha. A outra é de que duas metralhadoras calibre ponto 30 foram apreendidas na operação. Um modelo desse tipo de arma foi encontrado na Vila Cruzeiro, na madrugada de sábado.

Arlete dos Santos, de 48 anos, e Karen Cristina Baptista Borges, de 20, foram as primeiras vítimas civis na megaoperação no Alemão.

Conforme a SES, Arlete deu entrada por volta das 12h20, no HGV, com um tiro na região lombar. Neste momento, ela está no Setor de Raio X. Karen Cristina chegou por volta das 13h. Ela foi ferida por estilhaços de bala no tornozelo esquerdo e está sendo medicada.

Pela manhã, o policiail civil Domingos da Silva Brasão, lotado na Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), foi atingido por um tiro no abdômen, também na Fazendinha. Seu estado de saúde é estável e até o momento não foi verificada a necessidade de intervenção cirúrgica, ainda segundo a SES.

Agentes da Força Nacional de Segurança, do Batalhão de Operações Especiais (Bope), do 16º BPM (Olaria) e de várias delegacias especializadas da Polícia Civil, participam da operação. Integram a ação 1200 homens das polícias Civil e Militar, além de 150 agentes da FNS.

Entre os alvos da operação, estão as favelas da Fazendinha, Nova Brasília e Grota. Todos os acessos às comunidades estão cercadas. O objetivo da operação é cumprir mandados de prisão, além de apreender armas de drogas.

Um helicóptero e três blindados dão apoio à operação. No início da ação houve intensa troca de tiros entre policiais e traficantes e um homem foi preso. Na comunidade da Grota, os tiros atingiram a parte elétrica e deixaram a favela sem luz. O clima é tenso na região e parte dos comerciantes fecharam suas portas.

Durante os tiros, crianças que estavam na piscina e quadras da vila olímpica tiveram de ser retiradas às pressas e levadas para as salas. Cerca de 100 crianças ainda aguardam que o clima acalme para que possam sair.

Agentes da PM cercam o Ciep Francisco Mignone, na Rua Itapé, Olaria. Há denúncias de que traficantes que fugiram do Alemão e estariam área. Diretores da escola estão ligando para pais e pedindo que busquem as crianças.

Os policiais se reuniram desde o início da manhã no galpão de tiros da Polícia Civil, no Caju, na Zona Portuária, e de lá partiram em direção à região.