Agência Brasil
RIO - Servidores do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), que estão em greve há duas semanas, realizaram nesta terça-feira, no Rio de Janeiro, uma manifestação aproveitando a presença da ministra Marina Silva. Ela participou da abertura da 50ª Reunião Extraordinária do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama).
Durante o discurso de Marina Silva, os manifestantes, que estavam na platéia, ergueram faixas e cartazes em protesto à Medida Provisória 366/07, que prevê a divisão do Ibama e a criação do Instituto Chico Mendes.
O órgão hoje existente continuaria responsável pelos licenciamentos e fiscalização ambientais, enquanto a nova instituição teria como principal atribuição a gestão das Unidades de Conservação do meio ambiente.
De acordo com os servidores, que entregaram uma carta à ministra, a mudança enfraqueceria a gestão ambiental, ao dividi-la.
Eles também reclamaram da maneira como foi proposta a mudança, através de Medida Provisória. Em resposta ao protesto, a ministra disse que está aberta ao diálogo, mas garantiu que não existe qualquer possibilidade de modificação na decisão por parte do ministério.
- Nós temos 60 milhões de hectares de unidades de conservação e é impossível cuidar de tudo isso com apenas uma diretoria. Nós queremos uma instituição que tenha agilidade para proteção dos imensos ativos ambientais para viabilizar a pesquisa, o turismo sustentável e a visitação. Estamos abertos para o diálogo, mas a decisão de criar o instituto está tomada e vamos trabalhar democraticamente no Congresso Nacional para a sua aprovação - disse.
A ministra lembrou que a criação do Ibama, há 19 anos, também através de medida provisória, enfrentou resistência semelhante e hoje os resultados são visíveis à população.
Questionada sobre a possibilidade de a greve dos servidores em todo o país estar atrasando a concessão do licenciamento ambiental para as obras das hidrelétricas do Rio Madeira, Marina Silva apenas disse que o ministério está avaliando as respostas que foram encaminhadas pelo consórcio Odebrecht Furnas (responsável pelos estudos sobre o impacto ambiental do projeto), como complemento ao Estudo de Impacto Ambiental, realizado pelo Ibama.
- Nós não trabalhamos com a idéia de prazo, mas de urgência, e no tempo oportuno vamos nos manifestar - disse.