Policiais teriam recebido propina de clínica de aborto

Gustavo de Almeida, Agência JB

RIO - O Ministério Público estadual descobriu nesta sexta-feira anotações com o nome e o telefone de um delegado da Polícia Civil e de outras pessoas, ainda não identificadas, que supostamente receberiam propina mensal para não denunciar os serviços clandestinos de uma clínica de aborto em Madureira. Os valores variam entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil.

Os promotores encontraram ainda indícios de que policiais do Serviço Reservado de um batalhão da PM também seriam subornados.

A ação, que teve apoio dos agentes do Grupo de Apoio aos Promotores (GAP) fechou a clínica e prendeu em flagrante dois médicos e quatros auxiliares de enfermagem.

A incursão foi motivada por uma denúncia anônima ao telefone 127 da Ouvidoria do MP. Os promotores entraram na clínica no momento em que duas menores se preparavam para sofrer uma intervenção cirúrgica.

Todos os envolvidos foram levados para a 28ª DP (Campinho), assim como outras 20 pessoas que aguardavam atendimento.

A denúncia foi feita no dia 28 de março e encaminhada ao GAP da Barra da Tijuca. Durante a investigação, os agentes do Grupo de Apoio aos Promotores encontraram o pai de uma jovem que morreu na clínica após realizar o aborto. A descoberta reforçou a denúncia e o pedido de busca e apreensão foi feito junto à 3ª Vara Criminal.

Com a expedição do mandado, os agentes do GAP e a 18ª Promotoria de Investigação Penal(PIP), que tem atribuição sobre a região onde está a clínica, montaram a operação que nessa manhã fechou a casa de aborto, localizada na Rua Doutor Joviniano, transversal à Avenida Edgard Romero, em Madureira.

O denunciante informou que a fachada do local anunciava tratamento ginecológico. Os médicos da clínica cobravam, em média, R$ 400 para a cirurgia e realizavam o aborto até o terceiro mês de gravidez.

O ouvidor do Ministério Público, promotor Sérgio Azeredo, ressaltou a importância das denúncias anônimas.

- O resultado dessa operação mostra a importância que a Ouvidoria tem para a sociedade - disse.