Marcelle Justo , Agência JB
RIO - Cinco dias depois da morte do vice-presidente do Salgueiro, Guaracy Paes Falcão, os componentes da vermelho-e-branco garantem um carnaval nota 10. O desfile da agremiação, a terceira a entrar na Marquês de Sapucaí segunda-feira, vai ser de chorar. De alegria. O enredo Candances mostra a história de uma dinastia de rainhas da África Oriental que comandaram, antes da era cristã, um império no continente.
- A história é comovente, de mulheres muito valorizadas - explica o diretor cultural da escola do Andaraí, Gustavo Melo. E será uma África com muito ouro. Até a palha é toda trabalhada. O nosso diferencial será o samba, mais cadenciado, e a aposta é o abre-alas, com orixás femininas.
Outro carro importante é o da rainha de Sabá, que teria como principal destaque a mulher do vice-presidente morto, Simone Batista, assassinada ao lado do marido.
Se no Salgueiro a ordem é deixar de lado a tristeza para ver a escola passar, na Unidos da Tijuca, que traz o enredo De Lambida em Lambida, a Tijuca dá um Click na Avenida, não vai ter jeito. O pessoal das arquibancadas terá de lançar mão dos lencinhos quando o carro Retratos da Vida, que mostra a foto da menina vietnamita queimada, passar.
- É uma foto grandiosa que mudou o destino de uma guerra. O carro vai causar vários tipos de emoção - acredita Luiz Carlos Bruno, diretor de carnaval, que este ano assina ao lado de Lane Santana como carnavalesco.
Choro de um lado, alegria de outro. À frente da bateria, a apresentadora de TV Adriane Galisteu promete botar para quebrar.
- Ela veio, está curtindo e e já é Tijuca desde criancinha - brinca Luiz Carlos.
Na Porto da Pedra, que abre o desfile de segunda com o enredo Preto e Branco a Cores, a promessa está na gigantesca ala das baianas, composta por 300 integrantes. Na Sapucaí, a agremiação de São Gonçalo vai mostrar a história recente dos sul-africanos para ilustrar a luta de um povo negro rumo a um país democrático.
- Convocamos mulheres de outras escolas, dos grupos de acesso e especial, para ajudar. Do total, apenas 120 são da Porto da Pedra - diz Sandra Trindade, presidente da ala das baianas.