RIO

Bolsonaristas chorões bloqueiam ônibus e ameaçam estudantes da UFRJ na Via Dutra

...

Por JB RIO com Agência Estado
[email protected]

Publicado em 01/11/2022 às 08:48

Alterado em 01/11/2022 às 08:49

Celular de Bolsonaro está com a Polícia Federal Foto: Reuters / Adriano Machado

Fabio Grellet - Estudantes do curso de Geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) relataram ao Estadão que foram ameaçados por um grupo bolsonarista que bloqueou a Rodovia Presidente Dutra na altura do km 276, em Barra Mansa, no sul do Estado do Rio, nesta segunda-feira, 31. Segundo o relato, por cursarem uma universidade pública os alunos foram identificados como petistas e passaram a ser hostilizados pelos manifestantes.

Os ativistas protestam contra a derrota do presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) na disputa com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial que se encerrou neste domingo, 30. Mobilizaram-se em vários estados para pedir um golpe militar.

Segundo os estudantes, os ativistas ameaçaram queimar os estudantes. Também conforme os universitários, agentes da Polícia Rodoviária Federal testemunharam as ameaças e não intervieram. O Estadão não conseguiu entrevistar, nenhum porta-voz da PRF sobre essas reclamações de estudantes em relação à suposta omissão de integrantes da corporação quando foram ameaçados pelos manifestantes.

“Nós saímos do Rio às 8h desta segunda, num ônibus da UFRJ, rumo a Uberaba, para fazer um trabalho de campo da disciplina Estratigrafia”, contou por telefone uma aluna que participa da viagem e prefere não se identificar.

A jovem relatou que havia 44 pessoas no ônibus: dois motoristas, dezenas de alunos e alguns professores. O trabalho de campo se estenderia até o final desta semana. Por volta das 10h da segunda, o grupo chegou a um ponto da rodovia onde o trânsito estava parado devido ao protesto dos bolsonaristas. O motorista conseguiu fazer um desvio e chegou perto da barreira onde estavam os líderes da manifestação, na altura do km 276.

“Nós vimos que alguns veículos, principalmente ônibus, eram autorizados a seguir viagem. Então os professores desceram para conversar com os manifestantes e tentar liberar a passagem. Mas eles viram que somos da UFRJ, porque o ônibus é identificado. Aí, em vez de autorizar que seguíssemos viagem, passaram a nos ameaçar, chamar de petistas e filmar”, conta a aluna.

 

Refúgio em hotel

De acordo com a estudante, os manifestantes não chegaram a entrar no veículo, mas o cercaram e passaram a intimidar os seus ocupantes, que, temendo agressões, não saíram do veículo por horas.

“Ficamos dentro do ônibus até por volta das 16h, quando já estávamos sem água e comida”, conta a estudante. “Então descemos aos poucos, para não chamar a atenção dos manifestantes. Em grupos de quatro, fomos a pé até a churrascaria Pampas, que fica bem perto da barreira.”

Depois de usarem o banheiro e comprarem água, o grupo decidiu seguir a pé até a cidade de Barra Mansa. Os dois motoristas continuaram no ônibus. A estudante contou que os universitários caminharam cerca de seis quilômetros, apenas com a roupa do corpo e objetos pessoais básicos, em mochilas. A bagagem ficou no veículo. Durante esse trajeto, manifestantes continuaram fazendo ameaças ao grupo.

“Um deles chegou a ameaçar jogar óleo diesel e atear fogo na gente. Todos ficamos com muito medo, e uma colega teve uma crise de ansiedade e começou a chorar”, conta. “Os policiais viram as cenas, as ameaças, e não fizeram nada.”

O grupo andou até um hotel em Barra Mansa, onde estava hospedado na noite de segunda-feira.

“Queremos denunciar a situação porque estamos todos com medo, precisamos de algum tipo de escolta. E nossas coisas ficaram no ônibus, não sabemos se foram roubadas, se alguém colocou alguma coisa ilegal dentro do veículo, para depois nos incriminar.”

Tags: