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Alerj e moradores debatem reivindicações para melhoria do sistema de bondes de Santa Teresa

O presidente da Comissão de Transportes, deputado Dionísio Lins (PP), se colocou contra a tentativa de privatização. 'A Comissão vai estar atenta', disse

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Retomada imediata das obras nos trilhos dos bondes de Santa Teresa, jornada diária de operação das 6h às 23h, inserção de 21 novas composições, cumprimento das gratuidades, tarifa básica universal, e integração do sistema a outros modais de transportes. Essas foram algumas das reivindicações apresentadas por moradores do bairro durante a audiência pública conjunta das Comissões do Cumpra-se, de Cultura e de Transportes da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), realizada na sexta-feira (20), por meio de videoconferência.

“A questão tarifária é um absurdo. São 20 reais para quem pode pagar e que exclui o carioca. A proposta é transformar o bonde em um teleférico do Pão de Açúcar e num trenzinho do Corcovado, que são turísticos. O bonde não é isso, é um meio de transporte dos moradores, em que são bem-vindos todos os visitantes”, disse o presidente da Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa (AMAST). Ele também cobrou o cumprimento da sentença judicial que condenou, em 2009, o Governo do Estado e a Companhia Estadual de Engenharia de Transportes e Logística (Central/RJ) a restaurar todo o sistema de bondes de Santa Teresa.

“Essa luta não é só de Santa Teresa, é do Rio de Janeiro. Falta segurança, manutenção e o cumprimento das leis”, comentou o presidente da Comissão do Cumpra-se, deputado Carlos Minc (PSB).

Atualmente, segundo o Relatório Final da Comissão de Inquérito Parlamentar (CPI) dos Transportes da Alerj, concluído em 2018, o sistema de bondes de Santa Tereza, que funciona das 8h às 15h, tem cinco composições modernizadas: três circulando, uma em manutenção e outra na reserva. Em março deste ano, o Governo do Estado abriu um Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) para receber estudos sobre a viabilidade de conceder a gestão do sistema à iniciativa privada.

O presidente da Comissão de Transportes, deputado Dionísio Lins (PP), se colocou contra a tentativa de privatização. “A Comissão vai estar atenta contra qualquer tipo de privatizar o bonde de Santa Teresa. Vamos chamar o representante da Central e o secretário de transporte para um ajuste de conduta de cumprimento de sentença judicial. O que não pode é criar um constrangimento para a população”, disse.

“Nós queremos que o bonde de Santa Teresa seja um meio de transporte reconhecido pelos moradores, além de ser um patrimônio cultural tombado pelo seu formato, trajeto e adequação ao modo de vida do bairro. Os encaminhamentos desta audiência serão contra a privatização e ao cumprimento da sentença judicial”, finalizou o presidente da Comissão de Cultura, deputado Eliomar Coelho (PSol).

Também estavam presentes na reunião virtual o deputado Waldeck Carneiro (PT), a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB/RJ), o senador Lindbergh Farias (PT/RJ), e os vereadores Chico Alencar (PSol/Rio), Reimont (PT/Rio) e Tainá de Paula (PT/Rio).