Rio

Famosos protestam após morte de jovem grávida na Zona Norte

'Uma notícia que se repete com tanta frequência que dá náusea', diz Icaro Silva

Reprodução/Instagram
Credit...Reprodução/Instagram

A atriz Taís Araujo acredita que é importante falar sobre a negritude para além da violência. Nessa terça-feira (8), no entanto, ela admitiu que é quase impossível fazer isso no momento em que vivemos.

"É difícil continuar falando sobre beleza e futuro quando as vidas de jovens pretos estão sendo constantemente interrompidas", escreveu nas redes sociais.

Taís referia-se à morte da modelo e designer de interiores Kathlen de Oliveira Romeu, 24, baleada durante um tiroteio entre policiais militares e criminosos na comunidade do Lins, na zona norte do Rio de Janeiro.

Kathlen estava grávida de quatro meses, chegou a ser levada ao hospital, mas morreu em seguida. "Que a justiça seja feita", pediu Taís.

Vários outros artistas se manifestaram sobre a morte da modelo e designer. "Uma notícia que se repete com tanta frequência que dá náusea. Inocentes. Pretos. Mortos. Operação policial", escreveu o ator Icaro Silva. "O Estado brasileiro não está em guerra contra as drogas. Está, desde sua formação, servindo ao extermínio da população preta e periférica. Não dá mais pra fingir que não".

A cantora Preta Gil contou que não conseguiu postar uma foto de Kathlen. "Não tive coragem. Olhar sua barriga carregando uma vida faz minha cabeça quase explodir de dor", escreveu. "Até quando vamos aguentar isso?"

"Daqui a cem anos os netos dos meus bisnetos olharão perplexos pra o que estamos vivendo e tentarão entender os motivos que nos fazem parecer anestesiados diante a avalanche de absurdos", protestou a cantora Elza Soares.

A atriz e cantora Jeniffer Nascimento revelou que a modelo era sua seguidora nas redes socias e também lamentou a morte. "Mais uma família destruída pelas atrocidades da violência. Seguimos resistindo para existir", disse.

Para falar sobre o caso, o cantor Mumuzinho citou estatísticas sobre as mortes de jovens negros no Brasil. "A cada 23 minutos um jovem negro é assassinado no Brasil", lembrou. "Uma família inteira destruída! Até quando?"

"Duas vidas pretas que se vão de uma só vez", lamentou a atriz Camila Pitanga. "Mais vidas destruídas. As que se vão e as que ficam com a dor das perdas".

A atriz Jéssica Ellen também demonstrou tristeza pelo ocorrido. "Mais um sonho negro interrompido", disse.(Cristina Camargo/Folhapress)