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Mutirão para tirar lixo e criar consciência ecológica

Dia Mundial de Limpeza de Praias é marcado por ação na Urca

Jornal do Brasil SÔNIA APOLINÁRIO, sonia.apolinario@jb.com.br

Um telefone celular, outro ainda de disco, escova de dente, brinquedo, faca, guimba de cigarro, vela de carro. Esses foram alguns dos objetos que estavam em meio ao lixo retirado, ontem, da Praia Vermelha, na Zona Sul do Rio. Parte da programação do Dia Mundial de Limpeza de Praias, a ação reuniu cerca de cem pessoas e retirou do local 30kg de resíduos.

Setembro foi escolhido como o mês internacional dos mutirões de limpeza de praia, o World CleanUp Day. Desde o último sábado, 150 países se mobilizaram, durante 24 horas, para a realização de ações de limpeza cujo objetivo é conscientizar a sociedade sobre o descarte irregular de resíduos sólidos urbanos que vão parar nos rios e oceanos. A data foi instituída em 1989.

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Voluntários fazem triagem dos resíduos recolhidos na Praia Vermelha: um ouriço foi encontrado dentro de um telefone (Foto: José Peres)

Do total de resíduo recolhido na Praia Vermelha, sete quilos foram retirados do fundo do mar por 30 mergulhadores. O evento contou com a participação de seis instituições ligadas à conservação ambiental.

“A questão não é simplesmente limpar a praia. Sabemos que isso é um paliativo. Não tem um efeito potente a não ser que se trabalhe a educação ambiental com as pessoas. É importante que os frequentadores das praias vejam a quantidade de lixo que é recolhido. É importante que as pessoas pensem a respeito dos seus hábitos de consumo. Precisamos reduzir o consumo de plástico, reduzir a produção de resíduos. Não existe aterro ou programa de reciclagem que dê conta do padrão de consumo atual”, afirmou o jornalista e instrutor de mergulho Caio Salles, integrante do Projeto Verde Mar, que reúne mergulhadores.

Além da retirada do lixo do fundo do mar e da limpeza da areia da praia, fez parte da ação a limpeza do costão rochoso do Monumento Natural dos Morros do Pão de Açúcar e Urca.

Dados divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU), informam que, por ano, 8 milhões de toneladas de resíduos plásticos acabam nos oceanos. Ainda de acordo com a ONU, a taxa média global de reciclagem desses objetos, em sua maioria, garrafas descartáveis, é de 25%. São necessários, pelo menos, 450 anos para que uma garrafa plástica se decomponha e desapareça do meio ambiente.

Na ação da Praia Vermelha, os voluntários fizeram uma triagem do resíduo recolhido. O objetivo, segundo explicou a fundadora do Viva Mar Cursos Livres, Lara Guachalla, não era apenas separar os objetos, mas salvar vidas. “Toda fauna que encontramos, devolvemos para o mar. Junto com aos resíduos ficam pequenos caranguejos e esponjas. Dentro do telefone que encontramos tinha, por exemplo, um ouriço”, contou Lara.



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