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Casas condenadas voltam a ser ocupadas

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Para o engenheiro civil do conselho regional de engenharia, arquitetura e agronomia do rio de janeiro, abílio borges, o novo deslizamento no morro do bumba foi provocado porque as obras de impermeabilização da encosta ainda não foram concluídas.

– a ideia da obra é plantar grama em toda a extensão do morro e instalar um sistema de captação das águas pluviais, mas, enquanto o trabalho não for finalizado, qualquer chuva pode trazer abaixo o barro que ainda estiver sem gramado – explica. – as obras precisam ser concluídas o quanto antes.

Entre os 4 mil desalojados e desabrigados que nem foram incluídos no aluguel social, está o técnico em telefonia cláudio da silva macedo.

– eu não posso mais ficar pagando aluguel do meu bolso.

Vou voltar para a casa interditada nos próximos dias, por que não tenho mais dinheiro – reclama. – a prefeitura diz que aguarda repasse do governo do estado para atender as mais de 7 mil famílias vítimas do desmoronamento. por enquanto, apenas 3.200 são assistidas.

Além do risco de novos deslizamentos e de famílias terem ficado fora do aluguel social, aqueles que recebiam o benefício de r$ 400 estão há dois meses sem ver a cor do dinheiro.

– o proprietário da casa que eu aluguei depois que demoliram a minha já me pediu para sair. ninguém quer entender que o governo atrasou o pagamento – conta a dona de casa josilene de castro, 29 anos, mãe de ana caroline, de 5 meses.

Para sua vizinha, josivânia cardoso, o descaso da prefeitura tem que ter um fim: – não aguento mais pedir prazo para ter onde morar com meu filho. a prefeitura deve ter a responsabilidade de pagar.

Apesar de temer uma nova tragédia, a diarista fátima luciano, 56 anos, voltou para sua casa interditada.

– não dá para contar com nenhum centavo desse aluguel social. cansei de passar vergonha por pagar fora do prazo a moradia que aluguei – reclama, apontando para parte destruída de sua casa. – quando chover, buscarei um abrigo.