Indústria nacional sofre efeitos da crise econômica
Setor, porém, consegue ver luz no fim do túnel
O aprofundamento da crise internacional, a partir de 2009, não chegou a afetar o dia-a-dia dos brasileiros, mas prejudicou a indústria nacional gravemente. Com a retração nas exportações, os níveis de produção têm caído vertiginosamente desde então. Em 2012, o cenário foi quase o mesmo dos últimos três anos. Porém, com a quantidade de medidas anunciadas pelo governo, o setor consegue agora ver uma luz no fim do túnel, principalmente depois do desempenho melhor dos últimos meses.
Em outubro, por exemplo, a produção industrial cresceu em sete dos 14 locais investigados pela Pesquisa Industrial Mensal Regional, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O avanço interrompeu uma sequência de três meses de queda, quando acumulou perda de 6,6%. Após um recuo em novembro, as perspectivas para dezembro são estáveis. No entanto, com os números mais positivos em mãos, os empresários aumentaram suas esperanças e a expectativa em relação à demanda pelos próximos seis meses ficou acima da média.
Medidas fortes
Desde o início de 2012, o governo tem agido fortemente para estimular o setor industrial. Um dos principais entraves combatidos pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi o câmbio valorizado, que aumenta o preço dos produtos brasileiros, dentro e fora do país. Em março, o governo anunciou aumento de impostos para dólares que entrassem no Brasil. Na época, a presidente Dilma Roussef acusou os países ricos de fazer uma "guerra cambial", depositando dinheiro excessivo na economia global.
Segundo especialistas consultados pelo Jornal do Brasil, este "excesso" era transportado para o Brasil através de especuladores, que lucravam com a diferença de juros entre as economias. A vinda do capital desvalorizava o dólar, prejudicando as exportações e a competitividade dos produtos nacionais.
Os juros altos, marca da economia brasileira, foram outro foco do governo na hora de ajudar as indústrias nacionais. O Comitê de Política Monetária (Copom) realizou cortes na Selic durante todo ano, até atingir o histórico valor de 7,25% ao ano.
Além disso, as medidas de redução de impostos e desoneração das folhas de pagamento, que começaram com a queda no valor cobrado pelo Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), foram expandidos. Em dezembro, o ministro anunciou novo corte para o comércio varejista, atingindo, então, 42 setores da economia brasileira. Ele ainda prorrogou por duas vezes o corte do IPI para automóveis e a Linha Branca, que deve continuar até julho de 2013.
Junto com todas as medidas, o ano termina ainda com a promessa na queda no valor da energia elétrica pelo país, reclamação constante dos empresários brasileiros.
Custo Brasil
Apesar de todas as intervenções do governo, a produção patinou durante todo o ano. O setor teve queda na atividade de 2,4% no segundo trimestre de 2012. Em setembro, o índice de produção industrial medido pelo IBGE acumulava a 13ª queda consecutiva. As causas apontadas pelos especialistas e representantes do setor, ouvidos ao longo do ano pelo JB, vão sempre na mesma direção: o famoso "custo Brasil".
Eles apontaram o elevado custo da energia elétrica, a infra-estrutura precária de transportes, qualificação ruim da mão de obra, baixo nível de inovação e poucos investimentos. Este último é motivo de reclamação constante entre economistas. Para Heitor Klein, presidente da Associação Brasileira de Calçados, uma das indústrias mais empregadoras do país, o cenário para 2013 ainda é sombrio.
"As medidas vão no caminho certo, mas ainda são tímidas. Infelizmente, porém, nossa expectativa para 2013 é de continuidade da queda, tanto no mercado doméstico quanto no mercado internacional, porque tanto quanto a vista alcança, vai haver uma continuidade destes fatores", lamentou Klein, citando o alto custo Brasil e a crise internacional.
