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Crítica: 'Além da estrada'

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Um adjetivo bastaria para definir Além da estrada: bonito. O cenário é bonito, os atores são bonitos, a história é bonita e o diretor estreante em longas, Charly Braun, faz muito bonito.

Outros adjetivos podem reforçar a boa impressão que o filme causa: a delicadeza da fotografia, a sinceridade dos personagens - nem todos são atores, e interpretam suas próprias realidades - a competência da equipe e a qualidade da produção.

Infelizmente, tem sido comum filmes de estreantes, especialmente road movies com baixo orçamento, pecarem pelo despreparo técnico, que, às vezes, se esconde por trás de uma pseudo estética de despojamento que, na verdade, não passa de incompetência. Não é o caso de Além da estrada.

Uma história de amor aparentemente banal - um casal se encontra por acaso durante uma viagem, e decide seguir junto pelo caminho - vira um conto recheado de situações bacanas e envolventes nas mãos de Charly Braun, que também assina texto e produção.

No caso, o argentino Santiago reencontra a belga Juliette no Uruguai, por acaso, na beira de uma estrada, após ambos apenas se cruzarem dentro do navio que os levou a Montevideu. O jovem, então, oferece uma carona, prontamente aceita. Começa uma lindíssima viagem pelo interior do Uruguai, cujo cenário, por si só, valeria o filme.

Os encontros com situações e personagens regionais, que vão de um excêntrico e abastado tio de Santiago, até humildes moradores e artistas locais abrem um leque de oportunidades e novas experiências quase antropológicas, não apenas para Santiago e Juliette, mas também para o espectador.

E a história, que tem o amor sempre presente e mantido nas doses certas, pode servir de estímulo, quem sabe, para o próprio espectador pensar numa pausa nas loucuras do dia a dia, e num mergulho interior, de preferência, no interior.

Nem precisava, mas, além da correta interpretação de Esteban Feune de Colombi (Santiago) e Jill Mulleady (Juliette), há também as participações da brasileira Guilhermina Guinle, e da top model Naomi Campbell, numa aparição que seria totalmente dispensável, não fosse pela alfinetada da beldade no estilista Roberto Cavalli, que segundo ela - no filme, Naomi interpreta a si própria - não contrata tops negras.

Cavalli, por certo, não deverá gostar do filme. Azar o dele.

Cotação: **** (Excelente)