Após a Seleção masculina de futebol empatar por 0 a 0 com Cuba, na segunda rodada do Pan-Americano de Guadalajara, o técnico Ney Franco já acendeu a "luz de alerta" sobre a possibilidade de ficar de fora da próxima fase. No jogo desta sexta-feira, o Brasil fez uma partida nervosa contra a seleção cubana, que teria abusado, inclusive, do antijogo.
"Acho que Cuba tem que comemorar, mas também temos que deixar claro que eles vieram para empatar. A gente viu alguns jogadores deles atirando chuteiras para dentro do gramado quando estávamos com a bola no ataque. Nunca tinha visto isso no futebol, jogarem chuteira para parar o jogo", disse o treinador.
Para Ney Franco, o Brasil pecou no ataque e acabou faltando competência na hora de fazer o gol. "Pegamos uma equipe com proposta de jogar atrás. Temos, também, que dar o mérito (aos cubanos) que tiveram a competência em se defender bem. Nós não tivemos a competência para fazer o gol", falou.
Ao ser indagado se a Seleção Brasileira estava com excesso de confiança, Ney Franco negou. "Excesso de confiança não, nós respeitamos o adversário. Eles que tiveram a competência e qualidade para segurar o nosso time", disse.
O fato é que, com o empate de hoje, os jogadores cubanos vibraram como se tivessem ganhado um título. Ao ser questionado sobre a declaração do técnico cubano, de que este foi um dos maiores resultados daquele time, o técnico Ney Franco acabou concordando. "Cuba tem mesmo que comemorar muito. Nós vimos os jogadores festejando como se tivessem ganhado uma Copa do Mundo", lembrou.
Durante boa parte da partida, a Seleção Brasileira foi vaiada pelo público. Mexicanos torceram, claramente, para a equipe cubana e, segundo o técnico Ney Franco, esta torcida pode ter algumas motivações.
"Vimos isso ontem no vôlei feminino. Eles normalmente torcem pela equipe mais fraca. Além disso, tem duas coisas que podem estar acontecendo: o fato do Brasil ter vencido o México recentemente em um amistoso e o quadro de medalhas, no qual o Brasil disputa diretamente com o México", falou o técnico.
Vexame
Quando perguntado se o empate com a fraca seleção cubana seria um vexame no Pan-Americano, Ney Franco discordou: "veria como um vexame se voltar para esta sala de entrevista, após o jogo contra a Costa Rica, e estivermos eliminados", disse. Ney Franco classifica o resultado como algo natural para uma equipe que está se renovando.
"Quem nos acompanha sabe que, pela terceira vez, ajustamos a equipe. Primeiro para o Sul-Americano, depois para o Mundial e agora para o Pan", disse o técnico, que apontou nomes que devem se firmar nas próximas convocações.
"Já avalio que saímos da competição com um novo lateral direito, o Madson, que futuramente será titular no Bahia. Além do Misael, que é sub-17 e o Felipe Anderson", falou o técnico, que avaliou o ano de 2001 como bem-sucedido. "Este ano nossa principal função foi cumprida, revelamos muitos valores", completou.
Pela segunda partida seguida, o Brasil teve um jogador expulso. Ney Franco lamentou os cartões vermelhos, principalmente pelo fato de eles terem surgido a partir de discussões. Na primeira partida, contra a Argentina, o zagueiro Romário foi expulso. Contra Cuba, foi a vez de Leandro receber o cartão vermelho.
"Além de termos só 18 jogadores, perdemos um, que é o Cidinho, lesionado. No primeiro jogo eu revezei, agora teremos que conversar. Vou deixar passar o dia de hoje, para os jogadores descansarem. Amanhã, em reunião que teremos com o grupo, vamos conversar sobre o tema (expulsão)", falou Ney Franco.
Para o treinador, é fundamental evitar a redução do elenco para as próximas rodadas. Agora, para garantir a classificação, o Brasil precisa vencer a Costa Rica e o técnico brasileiro não cogita outro resultado. "Temos ainda algumas coisas para acertar. Se jogarmos forte, com certeza estaremos na próxima fase", finalizou.
A Seleção volta a entrar em campo no próximo domingo, em partida decisiva contra a Costa Rica, a partir das 23h (horário de Brasília).